ENTREVISTA

Flávio Bolsonaro critica Lula e STF e chama Macron de 'incompetente'

Senador deu entrevista a principal canal da ultradireita na França, afirmou que Brasil não vive democracia plena

Em entrevista a uma TV francesa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o presidente Lula, o Supremo Tribunal Federal e o presidente da França, Emmanuel Macron, a quem classificou como “incompetente”. A entrevista, transmitida ao vivo na segunda-feira (9/02), foi exibida pelo CNews, principal canal de notícias por assinatura do país e conhecido por ligação com a ultradireita.

Durante cerca de meia hora no horário nobre, Flávio afirmou que o Brasil “não vive uma democracia plena” e voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal, citando repetidamente o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido “condenado por seus próprios inimigos”, sem apresentar provas.

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O parlamentar está na Europa cumprindo uma agenda de encontros com lideranças da ultradireita continental. Nas redes sociais, publicou foto ao lado da deputada europeia Marion Maréchal, sobrinha de Marine Le Pen, principal nome do partido Reunião Nacional.

Na entrevista, Flávio também fez acusações envolvendo o INSS, ao citar suspeitas de desvios em aposentadorias e mencionar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. “O Brasil passa hoje por graves acusações de roubo de aposentados do nosso sistema previdenciário, sendo que é acusado de desviar dinheiro o próprio filho do presidente Lula”, afirmou. As investigações apuram se havia alguma ligação entre Lulinha e o lobista conhecido como “Careca do INSS”. Em entrevista recente, Lula disse que, caso haja envolvimento do filho, ele deverá “pagar o preço”.

A condução da entrevista foi pouco confrontacional. Em dois momentos, no entanto, os jornalistas insistiram em questionamentos. Um deles tratou da retirada de Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky, anunciada em dezembro pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Flávio afirmou que o recuo ocorreu porque Trump “precisa ter boas relações com o Brasil”, devido à importância estratégica do país na geopolítica mundial.

O segundo ponto de pressão foi o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, amplamente rejeitado por políticos franceses. O senador afirmou que o tratado representa “um passo adiante importante” e minimizou possíveis impactos sobre os produtores rurais da França.

Ao comentar a política francesa, Flávio disse esperar mudanças nos dois países no próximo ciclo eleitoral. “O Brasil não aguenta mais quatro anos de um governo de extrema esquerda. Assim como a França não aguenta mais um mandato de um governo de extrema incompetência como o de Emmanuel Macron”, declarou. O senador ignorou o fato de que Macron está impedido de disputar um terceiro mandato nas eleições presidenciais de 2027.

Flávio também acusou o presidente francês de ter ido ao Brasil “apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia”. Macron esteve em Belém em duas ocasiões recentes, inclusive durante a COP30, quando foi fotografado ao lado de Lula na floresta amazônica.

O senador afirmou ainda que a Amazônia teria sido preservada durante o governo Bolsonaro e que, sob Lula, o país teria registrado “três anos consecutivos de recorde de queimadas”. Nenhum dado foi apresentado para sustentar a declaração.

Em outro momento, cometeu um erro ao mencionar uma suposta “guerra entre China e Ucrânia”, quando o conflito envolve a Rússia. A fala provocou reação constrangida no estúdio.

A entrevista terminou em tom mais leve, com risos dos apresentadores, após Flávio citar “avenidas largas” e palavras como “bufê, sutiã e batom” como exemplos da influência cultural francesa no Brasil.

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