Canetas emagrecedoras

Quebra de patente de caneta emagrecedora tramita em urgência na Câmara

Proposta de autoria do deputado Mário Heringer (PDT-MG) e tramita em regime de urgência na Casa, o que permite votação diretamente em Plenário, sem passar pelas comissões permanentes. Se virar lei, medicamentos podem ficar mais acessíveis ao público

A possibilidade de quebra de patente de medicamentos à base de tirzepatida deve entrar no centro do debate da Câmara dos Deputados após o carnaval. O Projeto de Lei 68/26, que declara de interesse público o Mounjaro e o Zepbound — conhecidos como canetas emagrecedoras — foi apresentado pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG) e tramita em regime de urgência na Casa, o que permite a votação diretamente em Plenário, sem passar pelas comissões permanentes. Para virar lei, o texto ainda precisa do aval da Câmara e do Senado.

A assessoria parlamentar do deputado informou ao Correio que Heringer deverá solicitar a inclusão da matéria na pauta durante a próxima reunião do colégio de líderes do Parlamento. “Existe sim uma previsão para ser votada após o Carnaval, mas tudo depende de como serão acertadas as pautas na reunião de líderes. Até lá tudo é somente uma previsão”, reforçou.

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A medida considera de interesse público os dois medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, de doenças crônicas associadas ao sobrepeso e do diabetes mellitus tipo 2. A declaração é requisito legal para que o governo possa autorizar a quebra de patente.

Heringer argumenta que o alto custo dos medicamentos limita o acesso da população. Atualmente, uma caneta de Mounjaro pode custar entre R$ 1.400 e R$ 3 mil, a depender da dosagem. Para o parlamentar, ampliar o acesso à tirzepatida pode ajudar a prevenir complicações graves de saúde e reduzir gastos do poder público com o tratamento de doenças associadas à obesidade.

O projeto altera a Lei 9.279/96, que trata da propriedade industrial, para permitir a quebra de patente em casos de emergência nacional ou interesse público. Nesses casos, o governo pode autorizar a produção do medicamento por outra empresa, mediante pagamento ao detentor da patente. A legislação estabelece que essa compensação corresponde a 1,5% do preço do produto.

Reação contrária

A urgência da matéria foi aprovada pela maioria do Plenário, mas gerou reação contrária. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) criticou a proposta. “Vai trazer uma insegurança jurídica enorme para qualquer indústria, seja farmacêutica ou quem queira investir em inovação no nosso país”, afirmou. “É vergonhoso a gente quebrar patentes sem os devidos estudos”, acrescentou.

Médico, Heringer sustenta que a medida pode representar economia aos cofres públicos. Segundo ele, o custo da compensação ao laboratório seria inferior às despesas com o tratamento de complicações decorrentes da obesidade. “Isso é vantagem para o Brasil, é vantagem para quem mais precisa. A tirzepatida não vai ficar restrita ao núcleo de pessoas mais favorecidas, que podem comprar esse medicamento. Hoje é um medicamento de elite. E nós precisamos fazer saúde pública”, defendeu.

O texto ainda exclui da possibilidade de quebra de patente medicamentos à base de liraglutida, como o Saxenda, cujo prazo de proteção já expirou, e os produtos formulados com semaglutida, como o Ozempic, cujas patentes vencem neste ano.

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