O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes mandou intimar o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral, para que ele preste esclarecimentos sobre as declarações dadas à imprensa no caso do suposto vazamento de dados de autoridades. Ao Correio, Cabral disse que as medidas tomadas pelo Judiciário foram desproporcionais e colocadas para gerar "enredo de vítima" por parte da Corte.
Ele foi intimado a depor nessa sexta-feira (20/2), às 15h, por videoconferência. A PF investiga quatro servidores da Receita Federal que teriam vazado informações dos ministros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
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A investigação é um desdobramento do inquérito das fake news. Foram alvos da operação Luiz Antônio Martins Nunes (funcionário do Serpro cedido à RFB), Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos (técnicos do Seguro Social) e o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes.
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Kleber Cabral disse que o STF usa como cortina de fumaça para mascarar a crise interna do Judiciário. "Teve uma desproporcionalidade muito gritante entre os fatos e as medidas cautelares gravosas que foram colocadas. Às vezes, se tem uma situação em que, no curso do processo, o réu tenta dar sinais de que vai escapar, de que vai fugir — e aí o Judiciário vai lá e bota a tornozeleira eletrônica na pessoa. Mas, nesse caso, as medidas foram tomadas antes do processo. Isso é muito fora do razoável", afirmou.
Moraes também determinou que os suspeitos fiquem proibidos de acessar o trabalho, mesmo que de forma remota, e ordenou que eles entregassem passaporte, além do uso de tornozeleira eletrônica e a quebra de sigilo bancários e telemáticos. O presidente da Unafisco acusou o Supremo de usar a situação para se colocar como "vítima" e ganhar apoio público diante da crise institucional que atravessa.
"Temos que tentar interpretar os sinais. Nos parece que houve um planejamento para que essa situação viesse a ocorrer, esse enredo de vítima ao STF. Não tem razão para esse movimento todo. Afinal, qual foi o dado que o ministro Alexandre está achando que vazou da Receita? Falaram do contrato de R$ 129 milhões [da mulher do magistrado, Viviane Barci de Moraes], que, sabidamente, não saiu da Receita, porque o órgão não tem esse documento", defendeu.
