JULGAMENTO MARIELLE

Quem são os irmãos Brazão, acusados no caso Marielle Franco

Conheça a trajetória política de Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do crime, e a rede de influência que construíram no Rio de Janeiro

Com carreiras políticas consolidadas no Rio de Janeiro, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão estão no centro do julgamento sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A análise da denúncia contra eles no Supremo Tribunal Federal (STF) lança luz sobre a poderosa rede de influência que construíram ao longo de décadas, principalmente na Zona Oeste do Rio.

Domingos Brazão, o mais velho, é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), cargo que ocupa desde 2015. Sua trajetória política começou como vereador na capital fluminense e, posteriormente, se estendeu por cinco mandatos consecutivos como deputado estadual. Seu nome já esteve associado a investigações sobre compra de votos e envolvimento com milícias, mas ele sempre negou as acusações.

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Já João Francisco Inácio Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, foi eleito deputado federal em 2018 e reeleito em 2022. Antes de chegar a Brasília, atuou como vereador no Rio de Janeiro por quatro mandatos, período em que foi colega de Marielle Franco na Câmara Municipal. Após sua prisão em março de 2024, teve seu mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em abril de 2024, após acumular 72 faltas não justificadas. Atualmente, cumpre prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, após laudos médicos apontarem comorbidades graves.

A rede de influência e as suspeitas

A força política dos Brazão se concentra em áreas historicamente dominadas por grupos milicianos, como Jacarepaguá. A principal linha de investigação aponta que a motivação para o crime seria a atuação de Marielle Franco contra interesses dos irmãos ligados à regularização de terras e à exploração imobiliária nessas regiões. A vereadora se opunha a projetos que poderiam beneficiar esses esquemas.

A denúncia aceita pelo STF, baseada em parte na delação premiada do executor Ronnie Lessa, aponta os irmãos como mandantes do crime. O planejamento teria contado com o auxílio do ex-chefe da Polícia Civil do Rio, o delegado Rivaldo Barbosa, que assumiu o cargo um dia antes do assassinato. A investigação sugere que o grupo utilizou a estrutura do Estado para planejar a execução e, posteriormente, atuar na obstrução da justiça.

Durante o julgamento que começou hoje, o processo entra em sua fase decisiva. Os irmãos Brazão, Rivaldo Barbosa, o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves e Robson Calixto Fonseca (conhecido como 'Peixe', ex-assessor de Domingos Brazão) se tornaram réus por homicídio e organização criminosa. Todos negam qualquer participação no crime que chocou o país e teve repercussão internacional.

O julgamento teve início na manhã desta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, com a Procuradoria-Geral da República pedindo a condenação de todos os cinco acusados. O caso está sendo julgado pela Primeira Turma do STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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