
Durante conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizada nesta quarta-feira (4/3) no Palácio Itamaraty, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao chamado Conselho pela Paz criado pelos Estados Unidos e questionou iniciativas internacionais relacionadas à reconstrução da Faixa de Gaza.
Sem citar diretamente autoridades estrangeiras, o presidente condenou a ideia de reconstrução do território palestino após os bombardeios israelenses e afirmou que a proposta surge depois de uma destruição que vitimou civis. “Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres que mataram crianças, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer, 'vamos reconstruir Gaza'?”, disse Lula durante o discurso.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Em seguida, o presidente criticou especulações de que o território poderia receber investimentos privados após a guerra. “Aí, aparece como se fosse um resort para passar as férias no lugar em que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram”, afirmou.
- Leia também: "Se não nos matarem, ficaremos aqui": o temor dos iranianos com escassez de comida e bombardeios
A proposta de reconstrução da Faixa de Gaza não foi formalizada até o momento. No entanto, circulam discussões entre lideranças israelenses e em ambientes políticos internacionais sobre possíveis modelos de reconstrução com participação da iniciativa privada.
Reação brasileira após ataques ao Irã
Segundo diplomatas do Itamaraty, a possibilidade de o Brasil aderir a iniciativas relacionadas ao conselho ficou ainda mais distante após os ataques realizados contra o Irã no último fim de semana.
A avaliação interna do governo brasileiro é de que a ação coordenada entre Estados Unidos e Israel ampliou as tensões no Oriente Médio. Para integrantes da diplomacia brasileira, ao abrir um novo foco de conflito, o ex-presidente norte-americano Donald Trump demonstraria que o conselho seria mais uma proposta “para inglês ver” do que uma “iniciativa real pela paz”.
Durante o evento, Lula também voltou a criticar a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e defendeu mudanças na estrutura do organismo. “A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutir esses conflitos?”, questionou o presidente.
O governo brasileiro defende há anos a ampliação do Conselho de Segurança, que atualmente possui cinco membros permanentes com poder de veto. A conferência da FAO tinha como foco o combate à fome e a segurança alimentar. Nesse contexto, Lula criticou o que considera uma prioridade global dada aos gastos militares em detrimento das políticas de combate à pobreza.
“Todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drone, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caro. E tudo isso não é feito para construir ou para produzir alimento”, afirmou.
Dirigindo-se ao diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, o presidente reforçou que o enfrentamento da fome deveria ocupar o centro das agendas internacionais. “As pessoas importantes do planeta que deveriam estar preocupadas com a fome estão preocupadas com guerra”, continuou Lula. “A gente não pode tratar a questão da fome como se fosse uma questão de ONGs, como se fosse assim: 'se sobrar [dinheiro], tem; se não sobrar, não tem'. Tem que ser tratado como uma questão de prioridade, prioridade zero. É um direito sagrado. Todo mundo tem que tomar café, almoçar e jantar todo dia.”
Saiba Mais

Política
Política
Política