
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a Câmara dos Deputados realizou nesta terça-feira (4/3) sessão solene em homenagem às mulheres da sociedade brasileira. A cerimônia, no Plenário Ulysses Guimarães, foi iniciada pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) e reuniu parlamentares de diferentes correntes políticas em defesa da equidade de direitos e oportunidades.
Ao discursar, a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) ressaltou que, embora as mulheres já sejam maioria entre os concluintes do ensino superior, a desigualdade persiste no mercado de trabalho. “O Brasil avançou nas últimas décadas. As mulheres representam a maioria das que concluem o ensino superior, mas isso não basta quando o mercado insiste em pagar menos a quem estuda mais. Gênero não é concessão, é exigência de justiça”, afirmou.
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Ela defendeu maior presença feminina em espaços de comando. “Precisamos de mais mulheres nas lideranças, nas empresas, nas cidades, nos tribunais e, especialmente, nos parlamentos. Não como ornamento, mas como sujeito de pleno direito e poder”, completou.
A deputada Célia Xakriabá (PSol-MG), por sua vez, destacou a dimensão histórica da luta feminina por representação política. “Esta Casa demorou um século para ter a primeira mulher no Parlamento. Esta mesa representa a diversidade de ser mulher. Assim como em um bioma há diversidade para que exista floresta, este Parlamento precisa refletir a diversidade de ser mulher”, declarou.
Os dados mais recentes reforçam o alerta feito pelas parlamentares. De acordo com o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado no fim do ano passado, mulheres recebem, em média, 21,2% a menos que homens em 54.041 empresas com 100 ou mais empregados.
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O estudo analisou 19,4 milhões de vínculos formais de trabalho, 41,1% ocupados por mulheres e 58,9% por homens, com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025. A remuneração média feminina foi de R$ 3.908,76, enquanto a masculina chegou a R$ 4.958,43.
Entre 2023 e 2025, a participação feminina no mercado formal subiu de 40% para 41,1%, elevando o número de mulheres empregadas de 7,2 milhões para 8 milhões.
Dados do IBGE, com base na Pnad Contínua, mostram que, entre o segundo trimestre de 2016 e o mesmo período de 2025, o número de mulheres ocupadas passou de 37,9 milhões para 44,6 milhões. No mesmo intervalo, o contingente masculino foi de 51,9 milhões para 57,7 milhões.

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