
A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) foi eleita, nesta quarta-feira (11/3), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A escolha ocorreu após dois turnos de votação e marcou a primeira vez que uma mulher trans assume o comando do colegiado.
Além de Hilton, integram a mesa diretora da comissão as deputadas Laura Carneiro (PSD-RJ), como primeira vice-presidente; Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), como segunda vice; e Socorro Neri (PP-AC), como terceira vice-presidente.
No primeiro turno da eleição, apesar de a votação ocorrer com chapa única, a deputada não alcançou o número necessário para ser confirmada no cargo. Foram registrados 10 votos favoráveis e 12 em branco, o que impediu a eleição naquele momento. Como os votos em branco não atingiram a maioria absoluta, que seria de 13, a então presidente da comissão, Célia Xakriabá (PSol-MG), abriu um segundo turno. Na nova votação, em que bastava maioria simples, Erika Hilton foi eleita com 11 votos favoráveis e 10 em branco.
Sem disputas políticas
Após assumir o cargo, Hilton afirmou que pretende concentrar o trabalho do colegiado em políticas públicas voltadas à proteção e à dignidade das mulheres. Em entrevista ao Correio, a deputada minimizou as críticas à sua eleição e disse que o foco da comissão deve ser o enfrentamento de problemas estruturais que afetam as mulheres no país.
“Eu estou preocupada mais em que nós vamos trabalhar em prol da dignidade das mulheres. Precisamos enfrentar o feminicídio, a cultura do estupro, a violência doméstica e facilitar legislações que salvem a vida das mulheres”, afirmou.
A parlamentar acrescentou que pretende transformar o colegiado em um espaço de acolhimento e debate sobre propostas legislativas relacionadas à pauta feminina. Segundo ela, o objetivo é evitar disputas políticas que, em sua avaliação, desviem o foco das políticas públicas.
“Eu quero fazer da comissão um espaço de escuta e acolhimento das mulheres, mas também de discussão de legislações que tratem da vida das mulheres”, disse. “Está decidido por maioria: fui eleita a primeira travesti, mulher trans, presidenta da Comissão das Mulheres, criando um marco histórico. Vamos trabalhar por todas as mulheres, pelas meninas, pelas mulheres trans, pelas mulheres cis, pelas mães e por todas as dignidades das mulheres.”
Confira entrevista ao Correio
Damares protesta
A eleição de Hilton também provocou reação no Senado. Em discurso no plenário do Senado Federal, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou a indicação da deputada para presidir o colegiado da Câmara.
Segundo a senadora, a escolha representaria, em sua avaliação, um risco aos espaços historicamente ocupados por mulheres. “Não posso permitir que um movimento no Brasil queira me tirar, inclusive, o direito de eu falar na tribuna que eu sou mulher”, afirmou.
Damares acrescentou que reconhece a necessidade de defesa dos direitos de pessoas trans, mas argumentou que a Comissão da Mulher deveria ser ocupada por mulheres “que nasceram mulheres”. “Sou mulher, eu nasci mulher e ninguém vai tirar o meu direito de falar que eu sou mulher”, declarou.
A senadora também afirmou que, embora reconheça que pessoas trans mereçam espaços para a defesa de seus direitos, a presidência do colegiado que debate políticas voltadas às mulheres não deveria, em sua visão, ser ocupada por uma parlamentar trans.

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