CRIME ORGANIZADO

"Há mais adolescentes misóginos que adultos", diz juíza à CPI

Magistrada é responsável por julgar o adolescente envolvido no caso de estupro coletivo contra uma jovem de 17 anos ocorrido no Rio de Janer

Declaração foi baseada em dados de uma pesquisa realizada por uma universidade inglesa em 2025 -  (crédito: Saulo Cruz/Agência Senado)
Declaração foi baseada em dados de uma pesquisa realizada por uma universidade inglesa em 2025 - (crédito: Saulo Cruz/Agência Senado)

A juíza da Vara de Infância e Juventude do Rio de Janeiro, Vanessa Cavalieri, afirmou, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, que a adolescência é atualmente a faixa etária com maior número de homens misóginos. “Tem mais adolescentes misóginos do que homens adultos e homens idosos”, afirmou a magistrada durante a audiência. A declaração foi baseada em dados de uma pesquisa realizada por uma universidade inglesa em 2025.

Convidada a falar na comissão por requerimento do senador Rogério Carvalho (PT-SE), Cavalieri também relatou que casos de violência sexual envolvendo estudantes de escolas tradicionais de classe média não são incomuns na Vara de Infância e Juventude. Segudo a juíza, um padrão observado nesses episódios chama a atenção: muitas das agressões são registradas em vídeo. Para ela, as imagens indicam que os adolescentes frequentemente reproduzem comportamentos vistos em conteúdos pornográficos.

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“Não é o primeiro, nem o décimo, nem o vigésimo caso de estupro coletivo entre adolescentes da mesma escola, de escolas tradicionais de classe média que eu recebo na minha vara”, afirmou. “Claramente esses meninos estão reproduzindo uma cena que viram em um filme, em um vídeo de sexo explícito pornográfico. Há uma repetição de um comportamento de algo que eles não deveriam nem estar tendo acesso.”

Durante a audiência, a magistrada também criticou a situação do sistema socioeducativo no estado do Rio de Janeiro. De acordo com Vanessa, atualmente há mais de 200 adolescentes aguardando vaga para internação em unidades destinadas a jovens em conflito com a lei. Para a juíza, a resposta do sistema não pode se limitar a medidas burocráticas. “O adolescente precisa de acompanhamento real e de um projeto de vida, e não apenas de comparecimento periódico para assinar um documento”, disse.

A magistrada é responsável por julgar o adolescente envolvido no caso de estupro coletivo contra uma jovem de 17 anos, ocorrido em Copacabana. Por estar à frente do processo, ela afirmou aos senadores que não poderia comentar detalhes do caso específico. Ainda assim, reiterou que a predominância de comportamentos misóginos tem sido observada com maior frequência entre adolescente

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postado em 12/03/2026 16:29 / atualizado em 12/03/2026 16:30
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