
Nesta segunda-feira (16/3), a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, sob a acusação de obstrução de investigação relacionada à facção criminosa Comando Vermelho.
A defesa do desembargador afirmou por meio de nota que recebeu a denúncia com surpresa e contestou as acusações. “A defesa recebeu com surpresa a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República e confia que, no curso do processo, ficará demonstrada a completa inocência do desembargador”, declarou no documento.
Em nota ao Correio, a defesa do deputado Rodrigo Bacellar também contestou a acusação apresentada pela PGR e afirmou que a denúncia se baseia em “ilações e narrativas repetidamente refutadas” por provas documentais. Os advogados sustentam ainda que não há elementos que relacionem o parlamentar aos fatos investigados e classificam a acusação como uma tentativa de encobrir supostas irregularidades na atuação da Polícia Federal. Segundo a defesa, medidas cautelares teriam sido adotadas contra os responsáveis pelos vazamentos de informações, o que, na avaliação dos advogados, “reforçaria a inocência do deputado e afastaria qualquer conduta ilícita atribuída a ele”.
O Correio tenta contato com a defesa de Thiego Silva. Em caso de manifestação, o texto será atualizado.
De acordo com a denúncia, os investigados teriam atuado para obter e repassar informações sigilosas sobre operações policiais em andamento, o que teria permitido a adoção de medidas para evitar apreensões e comprometer a coleta de provas. Para os investigadores, o acesso antecipado aos dados teria prejudicado diligências conduzidas por autoridades federais no âmbito das apurações sobre a atuação da organização criminosa no estado.
As suspeitas estão relacionadas às investigações que resultaram na prisão de TH Joias durante a Operação Zargun, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025. O ex-parlamentar é investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho e por intermediar a venda de armas para integrantes da facção.
Segundo os investigadores, o vazamento de informações sobre a operação teria permitido ao então deputado retirar equipamentos e outros materiais antes do cumprimento dos mandados de busca, o que teria dificultado o trabalho das autoridades e afetado a obtenção de provas.
A denúncia também aponta que o desembargador Macário Júdice Neto teria compartilhado dados estratégicos sobre investigações em andamento. Para a PGR, o magistrado teria violado o dever de sigilo funcional ao repassar informações sensíveis sobre diligências policiais.
O material reunido na investigação inclui registros de comunicação, interceptações telefônicas e dados extraídos de aparelhos celulares. De acordo com os investigadores, os elementos indicariam interlocução entre os envolvidos sobre o andamento das operações e possíveis ações para antecipar as investigações.
Com o oferecimento da denúncia, caberá agora ao Supremo Tribunal Federal decidir se aceita ou não a acusação. Caso a Corte receba a denúncia, os citados passarão à condição de réus e responderão a processo criminal.

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