Dia Internacional da Mulher

Lula defende combate ao feminicídio, critica bets e pede fim da 6x1

Em pronunciamento pelo Dia da Mulher, presidente destaca pacto nacional contra o feminicídio e defende mudanças na escala 6x1 e restrições a jogos de azar on-line

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na noite deste sábado (7/3), que os brasileiros reflitam sobre o tratamento dado às mulheres e reforçou a necessidade de combater o feminicídio. Foi seu primeiro discurso em rede nacional em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo.

"É um dia de reflexão sobre como o nosso país trata as mulheres. E mais que isso. Como nós, homens brasileiros, tratamos as mulheres?", indagou. "Precisamos começar encarando a realidade, por mais dura que ela seja. A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas."

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O petista ressaltou a gravidade da violência de gênero no país e detalhou ações implementadas por seu governo para proteger mulheres e combater esses crimes. "Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos sim meter a colher", acrescentou o presidente, enfatizando que a responsabilização deve ser coletiva e o combate, firme.

O pronunciamento fez referência ao "Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio", assinado nesta semana pelos Três Poderes no Palácio do Planalto. Com o lema "Todos Por Todas", o pacto busca criar uma frente ampla nacional para prevenção, proteção e responsabilização de agressores, além de garantir direitos às mulheres vítimas de violência de gênero.

"O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar", acrescentou o presidente.

Bets e escala 6x1

No mesmo pronunciamento, Lula também abordou questões sociais e trabalhistas. Ele defendeu a aprovação de uma lei que proíba jogos de azar virtuais, como o chamado "tigrinho", argumentando que "os cassinos são proibidos no país". "Não faz sentido que o tigrinho seja permitido. Vamos trabalhar no Congresso Nacional para colocar fim ao cassino virtual", destacou.

O presidente ainda criticou a escala de trabalho 6x1, modelo em que os trabalhadores atuam seis dias seguidos e têm apenas um dia de descanso. Segundo ele, a medida pode melhorar especialmente a vida das mulheres.

"Muitas vezes é uma escala dupla. Por isso, é preciso avançar no fim da escala 6x1. Está na hora de acabar com isso para que as pessoas possam ficar mais tempo com a família, descansar e viver", afirmou Lula.

O pronunciamento, com cerca de seis minutos, foi exibido às 20h30 e gravado no Palácio da Alvorada. Segundo auxiliares, a iniciativa integra a estratégia do governo de fortalecer a comunicação com o eleitorado feminino, considerado decisivo para a eleição presidencial de 2026.

A pesquisa Datafolha, divulgada ontem, indica empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em simulação de segundo turno, acionando um alerta no Planalto. Para interlocutores, o resultado reflete um momento de desgaste político da gestão petista.

Repercussão negativa

Além do discurso, o presidente tem enfrentado críticas após episódio ocorrido durante o seminário "Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres", realizado no Palácio do Planalto na última quarta-feira. O evento, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Conselhão) em parceria com o Ministério das Mulheres, tinha como objetivo discutir políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, incluindo o Pacto Brasil entre os Três Poderes.

Segundo relatos de participantes, ao chegar ao evento, algumas mulheres foram instruídas por alto-falantes a permanecer no auditório, enquanto todos os homens deveriam se deslocar para outra sala. Lula teria participado de uma reunião em um espaço separado, apenas com homens, enquanto especialistas mulheres continuaram no auditório principal, onde as discussões vinham ocorrendo desde a manhã.

O episódio gerou descontentamento entre participantes e repercussão negativa nas redes sociais, com críticas à organização do evento e à postura do presidente diante de uma agenda voltada à igualdade de gênero.

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