Eleições 2026

PSD decide apresentar candidato à Presidência ainda em março

Legenda escolherá entre os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Junior (Paraná). Prazo inicial para a definição era 15 de abril

O PSD decidiu adiantar o anúncio de sua candidatura à Presidência da República, e vai definir o nome até 31 de março — logo antes do prazo de desincompatibilização. A sigla quer apresentar uma candidatura alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL–RJ), e decidirá entre três governadores: Ratinho Junior (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

A informação foi confirmada nesta segunda-feira (9/3) pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, ao lado dos três postulantes, durante um evento em São Paulo. A decisão foi tomada, segundo Kassab, com apoio dos governadores e de lideranças da sigla. O prazo inicial para o anúncio seria até 15 de abril. 

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“O que nós definimos é que teríamos a decisão até 15 de abril. Mas, realmente, como já existe uma exposição muito grande dos três, e os principais líderes do partido, dirigentes e também os três entendem que é mais saudável, positivo, fazer o mais rápido possível (o anúncio), até por conta das questões regionais, será feito”, disse Kassab a jornalistas.

O presidente do PSD, Caiado, Leite e Ratinho Junior participaram juntos de um evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na capital paulista. Os quatro participam de eventos em conjunto em São Paulo desde sexta-feira (6), quando promoveram um debate entre os postulantes do PSD.

Segundo Kassab, a nova data leva em conta a decisão de Caiado de se filiar à legenda. O governador deixou o União Brasil e vai aderir oficialmente ao PSD durante cerimônia neste sábado (14).

Alternativa à polarização

A sigla quer se colocar como alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas rejeita o rótulo de terceira via. “Será a melhor via. Uma candidatura que represente as aspirações da  sociedade brasileira no que diz respeito ao combate à corrupção, mais transparência, voto distrital, idade mínima para os tribunais superiores”, elencou Kassab, adiantando pontos do programa de governo.

Ratinho Junior foi o primeiro a anunciar a intenção de concorrer. Ele já era filiado ao partido. Eduardo Leite deixou o PSDB rumo ao PSD em maio do ano passado, e lançou na semana passada um “manifesto” por sua candidatura ao Planalto. Caiado, por sua vez, que já se colocava como concorrente, trocou de sigla neste ano após o União Brasil não viabilizar sua pré–candidatura. 

Questionado por jornalistas, Kassab negou que a decisão de adiantar a candidatura esteja relacionada ao resultado de pesquisas eleitorais. Especificamente, ao estudo Datafolha divulgado na semana passada que testou os possíveis candidatos do PSD, em cenários diversos. Eles ficaram com entre 3% e 7% das intenções de voto no primeiro turno. A pesquisa, assim como outros levantamentos, apontam uma forte polarização entre Lula e Flávio.

“As pesquisas não nos preocupam, porque elas são muito positivas. Uma pesquisa que indica uma rejeição de quase 50% dos dois candidatos colocados não é possível, por uma questão de bom senso, que não exista espaço para uma candidatura melhor”, respondeu Kassab.

Proposta de campanha

Na mesma linha, Eduardo Leite lamentou a polarização, e disse defender uma proposta focada nos interesses reais da população. Ele também espera que o caminhar da campanha abra espaço para outras candidaturas. “Não vai ter grandes alterações na pesquisa até que se deflagre o processo eleitoral, com as entrevistas, com os debates, com os programas de TV, com a campanha na rua. Aí, sim, o ponteiro vai se mexer”, afirmou o governador gaúcho.

Ratinho Junior disse estar tranquilo com as pesquisas, e também atribuiu a polarização entre dois candidatos a uma falta de debate político sobre alternativas no momento. Disse ainda que a chapa a ser apresentada pelo PSD, com qualquer um dos três governadores, será “muito bem-vinda” para a população.

“Aqueles que estão colocados nesse momento acabam tendo uma exposição maior. A partir do momento que os artigos começam a colocar suas candidaturas para o grande público, naturalmente esses atores passam a ter mais exposição também”, disse Ratinho.

Caiado, por sua vez, disse que o país “discute apenas o 8 de janeiro”, em referência à invasão das sedes dos Três Poderes e ao debate sobre a anistia aos condenados pelo ataque e pela tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em sua visão, a polarização tende a diminuir quando forem discutidos temas como a redução da taxa de juros e o endividamento público.

“Com cinco mandatos de Lula, o que mais cresce é facção criminosa. É a corrupção. E o Brasil perde espaço no cenário internacional. A educação do Brasil deixa a desejar. O avanço na área da saúde, usando como máquina partidária”, disse Caiado.  “A eleição está longe de estar decidida. Meu amigo, debate, em uma eleição majoritária, é peça fundamental”, enfatizou.

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