O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (19/3) que a exploração de minerais críticos e terras raras será o caminho para o desenvolvimento dos países da América Latina.
Ele, que discursou na cerimônia de entrega do título de Doutor Honoris Causa a Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai morto no ano passado, na Universidade Federal do ABC (UFABC), na Grande São Paulo. O presidente pontuou que a exploração dessas riquezas será uma forma de recuperar a “cidadania” do povo latino.
“Agora se descobriu uma coisa nova, os chamados minerais críticos e as terras raras que estão nos nossos solos e quem tem isso somos nós. Agora eles querem nos explorar e fazer a mesma coisa que faziam com minério de ferro e ouro que era levar, levar e deixar aqui só buracos que eles cavam. Dessa vez precisamos nos unir para dizer que os minerais críticos e terras raras são formas de a gente recuperar a cidadania do povo latino-americano”, defendeu o líder brasileiro.
Em seu discurso, ele também criticou as interferências de outros países na resolução de desafios de nações da América Latina. Para Lula, é lamentável o fato de países sul-americanos clamarem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para resolver seus problemas internos.
“Nós precisamos ver a quantidade de países que acham que Trump vai resolver os problemas da América do Sul. Os espanhóis ficaram 500 anos e não resolveram, os ingleses exploraram um tempo e não resolveram, os americanos não resolveram e agora por que acreditar que eles vão resolver?”, questionou Lula.
O discurso do presidente em prol de uma união do continente ocorreu em meio à notícias de que o Brasil confirmar presença na Cúpula da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac), previsto para este sábado (21/3), na Colômbia.
O encontro ocorrerá no contexto em que a influência dos Estados Unidos avança em toda região. A Venezuela, por exemplo, foi invadida e teve seu então presidente, Nicolás Maduro, preso por tropas norte-americanas. Além dessa ação, países da América do Sul — como o Brasil e a Colômbia — têm sido alvos de pressões dos EUA.
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Em relação ao Brasil, o fato de os EUA estarem na iminência de classificar facções criminosas como grupos terroristas preocupa o Planalto, que teme por sanções econômicas. Já no âmbito colombiano, o presidente Donald Trump já ameaçou que, após a invasão À Venezuela, a Colômbia será o próximo país a ser invadido.
