Ao votar pela manutenção da prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhou o relator André Mendonça, mas fez críticas diretas à fundamentação usada na decisão que decretou a custódia preventiva.
Em voto de 42 páginas, o decano afirmou que parte dos argumentos apresentados recorre a “clichês que serviriam para justificar a prisão de qualquer pessoa que é acusada de um crime”. A declaração foi interpretada nos bastidores como um recado claro ao relator, responsável pela condução do caso na Corte.
Apesar das ressalvas, Gilmar Mendes reconheceu que há elementos concretos que justificam a manutenção da prisão no caso específico, especialmente para evitar interferências nas investigações. Ainda assim, demonstrou incômodo com o uso de conceitos amplos como “confiança social na Justiça” e “pacificação social” como base para decisões dessa natureza.
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O magistrado também fez um alerta mais amplo sobre o risco de banalização da prisão preventiva, destacando que a medida não pode ser utilizada como resposta a pressões sociais ou como instrumento para reforçar a credibilidade das instituições. Para ele, esse tipo de fundamentação se afasta dos parâmetros constitucionais e abre espaço para distorções no sistema penal.
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