Ex-presidente preso

Lindbergh critica domiciliar a Bolsonaro e fala em 'justiça seletiva'

O deputado do PT afirma que decisão expõe desigualdade no sistema penal e cobra tratamento igual a presos vulneráveis

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes por 90 dias, após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a decisão evidencia o que chamou de “funcionamento seletivo do sistema penal” no país.

Segundo Lindbergh, embora a condenação de Bolsonaro e de militares envolvidos em tentativa de golpe represente um marco na defesa da democracia, a forma de cumprimento da pena revela desigualdades estruturais. O deputado destacou que o ex-presidente já estava em uma unidade com estrutura diferenciada, incluindo espaço amplo e atendimento médico, e ainda assim houve pressão por um regime mais brando.

Na avaliação do petista, o contraste é evidente quando comparado à realidade do sistema prisional brasileiro. Ele afirmou que milhares de presos idosos e doentes permanecem em condições precárias, sem assistência adequada e sem a mesma mobilização política ou celeridade judicial. “A família Bolsonaro sempre defendeu crueldade penal para os de baixo”, escreveu, ao criticar o que considera uma mudança de postura diante do caso.

Lindbergh ainda reforçou a existência de uma “justiça de classe”, na qual penas mais duras recaem sobre pobres, negros e periféricos, enquanto há flexibilizações para réus com maior poder político e econômico. O petista também questionou se presos vulneráveis terão o mesmo direito à prisão domiciliar, alertando para o risco de perpetuação de desigualdades no sistema penal.

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