A articulação para a formação de chapas à Presidência em 2026 ganhou novos contornos após declarações divergentes dentro do próprio campo da direita. A afirmação de que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, teria “perdido o prazo” para compor como vice na eventual candidatura de Flávio Bolsonaro expôs ruídos entre lideranças do PL e do PSD, sendo rebatida tanto pelo comando do partido quanto pelo entorno do governador.
A fala partiu do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, ao Poder 360. Ele indicou que o tempo político para a composição já teria se encerrado. O episódio, no entanto, foi relativizado pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
Ao Correio, Valdemar negou a existência de um marco interno para esse tipo de definição. “Não existe prazo na política, somente o prazo da lei”, afirmou, afastando a ideia de que o partido tenha estabelecido um limite formal para a entrada de Ratinho na chapa.
Vice ainda indefinido
Durante o evento de filiação de Sergio Moro ao PL, ontem (24/3), o próprio Flávio Bolsonaro indicou que a composição da chapa ainda está em aberto.
Na ocasião, o senador afirmou, em conversas com jornalistas, que ainda não há um vice definido e que a escolha será construída mais adiante, dentro do processo de alianças políticas.
Recuo estratégico
Do lado do PSD, a assessoria de Ratinho Júnior tratou de afastar a leitura de que sua saída do radar presidencial tenha sido condicionada por fatores externos ou pressões políticas.
Em nota enviada ao Correio, o entorno do governador afirmou: “Foi uma decisão pessoal, com apoio de seus familiares, que, inclusive, se manifestaram publicamente nas redes sociais elogiando a escolha de Ratinho Jr. Portanto, não há relação com Sergio Moro”.
A menção ao senador responde a especulações de bastidores de que o avanço do ex-juiz no Paraná teria influenciado o movimento do governador.
A assessoria também detalhou um ponto central das negociações: “No dia da reunião, Ratinho Júnior informou a Rogério Marinho que não poderia selar qualquer compromisso, tendo em vista que naquele momento ele era apenas um dos pré-candidatos dentro do PSD, e nada havia sido oficializado”.
Nos bastidores, Ratinho era visto como um nome competitivo, capaz de agregar força regional e dialogar com diferentes segmentos da centro-direita. Sua saída do cenário presidencial e a negativa em assumir compromissos antecipados alteram o equilíbrio das negociações. Com a indefinição sobre alianças e a multiplicidade de pré-candidaturas, o campo da direita segue fragmentado.
A reportagem também entrou em contato com Sóstenes Cavalcante, mas até o momento não houve retorno.
