O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ter alta nesta sexta-feira (27/3), segundo sua equipe médica. A liberação ocorrerá após o fim do ciclo atual de antibióticos, amanhã (26). Segundo os médicos que o acompanham, Bolsonaro está estável, mas a recuperação total após a broncopneumonia pode levar até seis meses.
As informações foram dadas à imprensa pelo cardiologista que acompanha o ex-presidente, Brasil Caiado, na porta do hospital DF Star.
“O antibiótico termina o ciclo amanhã, nós estamos com uma programação para alta na sexta-feira”, respondeu Caiado ao ser questionado sobre a previsão de alta. Por conta da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Bolsonaro poderá seguir para casa, onde cumprirá prisão domiciliar por, ao menos, 90 dias.
“Nós consideramos a prisão domiciliar humanamente mais saudável, mas não menos importante do que os nossos cuidados. Talvez até mais intensos. Nós estamos preparados, o ambiente domiciliar já está em preparação pela família”, disse ainda o médico.
Em preparo para a alta, Bolsonaro realizou exames na noite desta terça-feira (24), incluindo uma radiografia do tórax. De acordo com a equipe médica, sua evolução foi bastante positiva.
“O raio-x de ontem à noite nos deixou muito tranquilos, porque há uma significativa melhora do lado direito, praticamente o pulmão está normal, e ainda há uma lesão residual, que também era esperada pela gravidade, no pulmão esquerdo”, disse Caiado.
O ex-presidente continuará em acompanhamento de casa, incluindo sessões de fisioterapia e nutricionistas. O médico informou ainda que a família adquiriu uma cama especializada para melhorar o problema de refluxo. Caiado comentou também que deve visitar Bolsonaro diariamente durante a recuperação.
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Saúde mental
Segundo o cardiologista, a decisão de Moraes que autorizou a prisão domiciliar abarca o período de convalescença da doença, ou seja, a recuperação total, ainda com risco de desenvolvimento de complicações, como fibrose no pulmão.
“Estima-se uma melhora que pode acontecer em seis semanas, 12 semanas e até seis meses. De qualquer forma, nós não saberemos como ele evoluirá. O que nós temos que fazer é uma avaliação periódica”, disse Caiado.
Questionado sobre o estado mental de Bolsonaro, o médico afirmou que o ex-presidente ficou abatido quando foi admitido no hospital, ao saber da gravidade da infecção. Porém, sua condição melhorou nos últimos dias, especialmente após a autorização para a prisão domiciliar. “Ele recebeu (a notícia) com satisfação”, comentou.
Não há previsão de novos exames até a alta, que só será revista caso ocorra alguma intercorrência.
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Precisão de cirurgia
Além da recuperação da pneumonia, Bolsonaro também está com uma lesão no ombro direito. Ele foi avaliado ontem pelo ortopedista especialista em ombro e cotovelo Alexandre Paniago, e passou por uma ressonância.
“Ainda precisa ser mais definido, me parece que há indicação cirúrgica para a lesão no ombro direito. Agora não, porque agora nós não o liberaríamos para uma cirurgia em fase de recuperação de uma pneumonia”, afirmou Caiado.
Segundo a equipe, a lesão pode ter sido agravada por uma queda que Bolsonaro sofreu enquanto estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em janeiro.
“O ortopedista acha que pode ter sido potencializado, piorado na queda. Mas como foi uma avaliação ontem, e nós precisamos observar a evolução, ele acha que sim, mas ainda não é certeza”, disse Caiado.
