REAÇÃO

Base governista reage a oferta de minerais aos EUA por irmãos Bolsonaro

Líderes do PT e PSol reagem a falas em evento conservador no Texas; Flávio Bolsonaro propôs ceder reservas de terras raras ao governo Trump em troca de apoio político

A base governista reagiu com forte indignação às falas dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) realizada em Dallas, Texas, no sábado (28/3). Líderes do PT e do PSol classificaram eles como “traidores da pátria” e “vendilhões”, os acusando de submeter a soberania brasileira aos interesses dos Estados Unidos em troca de apoio político para as eleições.

O ponto central da revolta governista foi a oferta feita por Flávio de entregar as reservas brasileiras de terras raras ao país norte-americano para quebrar a dependência estadunidense da China. O ministro da Secretaria-Geral da presidência da República, Guilherme Boulos, classificou a fala como o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui, afirmando que o senador estaria “oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira”.

“Flávio Bolsonaro se comprometeu publicamente a entregar as Terras Raras e minerais críticos do Brasil aos EUA se for eleito presidente. Este cidadão está oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira em troca de apoio. Entenderam o que vai estar em jogo em outubro?”, criticou o ministro em publicação nas redes sociais.

No mesmo tom, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência, Gleisi Hoffmann, chamou os membros da família Bolsonaro de “vendilhões da pátria”. Gleisi, também em publicação, criticou as “juras de subserviência” a Donald Trump e relembrou o histórico da gestão anterior na pandemia e na economia para afirmar que o grupo agora se dedica a “espalhar mentiras sobre o Brasil” no exterior.

No Congresso Nacional, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) subiu o tom ao rotular Flávio como “marionete de Trump” e “traidor da pátria”. Para o parlamentar, a postura representa um “entreguismo” que compromete a autonomia tecnológica do país.

“É o retrato do bolsonarismo: servil, vira-lata, entreguista e sem qualquer compromisso com a soberania brasileira. Quem age assim não defende o Brasil, trabalha para rebaixar o país, enfraquecer nossa capacidade de decisão e abrir espaço para que interesses dos Estados Unidos ditem os rumos do nosso território, da nossa economia e do nosso futuro”, escreveu o deputado em seu perfil no X (antigo Twitter).

A reação da base aliada ao presidente Lula também focou no apelo de Flávio Bolsonaro para que o “mundo livre” exerça pressão diplomática sobre as instituições e as eleições brasileiras. A deputada Erika Hilton (PSol-SP) acusou a família de ser incapaz de se eleger por meios úteis ao povo, recorrendo a uma tentativa de “invasão ideológica e digital” ao pedir interferência direta do governo americano no pleito de 2026.

No mesmo sentido, o deputado Tarcísio Motta (PSol-RJ) estabeleceu um paralelo histórico com a colonização de 1500, alertando que uma eventual vitória do senador Bolsonaro resultaria no escoamento das riquezas nacionais diretamente para o bolso dos Estados Unidos, consolidando o que os governistas descrevem como uma ameaça sem precedentes à independência do país.

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