Em apenas oito minutos e com baixa presença de parlamentares, a CPI do Crime Organizado do Senado aprovou, em bloco, nesta terça-feira (31/3), uma série de requerimentos que ampliam o alcance das investigações. Entre as decisões, estão as convocações dos ex-governadores Ibaneis Rocha (MDB) e Cláudio Castro (PL) para prestar depoimento ao colegiado.
“Historicamente, o Rio de Janeiro tem sido o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”, afirma Vieira. “A oitava de Cláudio Castro é absolutamente indispensável para o avanço dos trabalhos desta Comissão”, completa.
Para o relator, o depoimento de Castro vai proporcionar um panorama macro estratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, bem como a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal.
A reunião foi conduzida pelo senador Fabiano Contarato (PT-BA), que presidia a sessão ao lado do relator, Alessandro Vieira(MDB-SE). Mesmo com o plenário esvaziado, não houve resistência às votações, mais da metade dos itens da pauta foi aprovada sem debate prolongado.
Além de Ibaneis e Castro, os senadores também aprovaram a convocação de nomes ligados ao sistema financeiro e ao Judiciário, como Renato Dias de Brito Gomes, ex-diretor do Banco Central, e Yan Felix Hirano, apontado como possível operador na inserção de recursos ilícitos no sistema formal. Também foi convocado o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
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No campo das diligências, a comissão aprovou pedidos de informações ao Banco Central sobre processos envolvendo instituições do conglomerado Prudencial Master, incluindo a atuação de servidores em casos específicos. Outro requerimento solicita detalhes sobre a transferência de controle do Banco Máxima S.A. e de sua corretora para um grupo de investidores.
A CPI ainda requisitou ao BNDES dados sobre uma operação bilionária, de R$ 5,05 bilhões, destinada à concessionária Nova Rota do Oeste, responsável por obras na BR-163, em Mato Grosso. Já à Força Aérea Brasileira foram solicitadas informações sobre planos de voo, em 2025, de aeronaves executivas associadas a investigações em curso.
