
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8/4), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que a atuação da autoridade monetária no caso do Banco Master seguiu critérios estritamente técnicos, sem qualquer interferência política.
Ao ser questionado sobre uma reunião realizada no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, Galípolo confirmou sua participação e detalhou o contexto do encontro, afirmando que a convocação partiu do gabinete da Presidência da República.
Segundo o chefe do BC, ao chegar à reunião, o principal discurso foi conduzido pelo empresário Daniel Vorcaro, que alegou sofrer perseguição por parte do mercado financeiro. De acordo com Galípolo, os acionistas do Master relataram dificuldades de captação em razão de uma suposta resistência do mercado, argumento que, em sua avaliação, não era compatível com o porte da instituição.
Galípolo também destacou que a narrativa apresentada não se sustentava tecnicamente e comparou a situação a procedimentos internos do próprio Banco Central, nos quais partes envolvidas buscam expor diretamente suas versões à presidência da instituição.
Lula reforçou autonomia do Banco Central
Ainda durante o depoimento, Galípolo relatou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro, na ocasião, que o tema não cabia à Presidência da República, mas ao Banco Central.
Segundo ele, Lula afirmou que a análise sobre o caso deveria ser conduzida de forma técnica pela autoridade monetária. “Foi dito que esse é um tema do Banco Central e que lá dentro a análise seria técnica, como deve ser”, declarou.
O presidente do BC também listou os participantes do encontro. Além de Vorcaro, estiveram presentes nomes do governo federal, como o então ministro Guido Mantega, o ministro Rui Costa e o ministro Alexandre Silveira, além de assessores da Presidência. Segundo Galípolo, não houve manifestações relevantes por parte desses interlocutores, e a fala predominante foi a do empresário ligado ao banco.
Ao ser questionado sobre possíveis orientações recebidas após a reunião, Galípolo foi enfático ao afirmar que sempre teve autonomia para conduzir o caso. “A orientação foi clara: agir com técnica, não proteger ninguém e não perseguir ninguém. Ir até o fim do processo, independentemente de quem estivesse envolvido”, disse.
Ele também ressaltou que nunca recebeu pedidos para favorecer ou prejudicar qualquer agente e que não houve novas reuniões no Planalto sobre o tema após esse encontro.
Negativa de interlocuções paralelas
Durante o depoimento, Galípolo também negou ter mantido conversas com outras autoridades políticas sobre o caso, incluindo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O presidente do Banco Central afirmou ainda que a instituição enfrentou pressões políticas e midiáticas ao longo do processo, além de um ataque reputacional que, segundo ele, teria sido posteriormente associado ao próprio empresário Daniel Vorcaro.
Ao longo da oitiva, Galípolo reforçou a defesa da independência operacional do Banco Central e reiterou que todas as decisões relacionadas ao caso foram tomadas com base em critérios técnicos. “O Banco Central tem autonomia para investigar e agir, doa a quem doer, sempre com base na técnica”, concluiu.

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