CPI do crime organizado

Galípolo defende sigilo sobre Banco Master e afirma seguir regras vigentes

Presidente do Banco Central afirma, em CPI no Senado, que confidencialidade de até oito anos é prevista em resolução e visa evitar questionamentos futuros

Segundo Galípolo, o prazo de confidencialidade está previsto em uma resolução de 2018, que diferencia instituições financeiras por porte -  (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
Segundo Galípolo, o prazo de confidencialidade está previsto em uma resolução de 2018, que diferencia instituições financeiras por porte - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a manutenção do sigilo de até oito anos sobre informações relacionadas à liquidação do Banco Master. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, nesta quarta-feira (8/4), ele afirmou que a medida segue normas estabelecidas e não representa exceção no sistema financeiro.

Segundo Galípolo, o prazo de confidencialidade está previsto em uma resolução de 2018, que diferencia instituições financeiras por porte. “Antes, o sigilo era de dez anos para todos os bancos. Agora, para os maiores permanece em dez anos, enquanto para os menores é de oito anos”, explicou.

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O presidente do Banco Central ressaltou que eventuais mudanças na regra exigem debate institucional e justificativa formal. Para ele, o cumprimento das normas é essencial para a segurança jurídica. “Se uma regra é considerada inadequada, ela deve ser discutida e alterada por quem tem competência. Descumpri-la não é o caminho”, afirmou durante a sessão.

Galípolo também argumentou que o sigilo contribui para proteger a atuação da autoridade monetária de questionamentos futuros. De acordo com ele, a adoção de procedimentos rigorosos evita que decisões técnicas sejam alvo de disputas judiciais ou interpretações indevidas.

Ao citar experiências anteriores, o presidente do BC destacou que processos de liquidação costumam gerar disputas prolongadas. Segundo ele, tanto o Banco Central quanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enfrentam, há décadas, ações judiciais bilionárias movidas por acionistas de instituições financeiras que sofreram intervenções.

O convite a Galípolo para a CPI foi solicitado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), com base em questionamentos sobre a relação entre o Banco Central e o Banco Master. O parlamentar mencionou uma reunião ocorrida em 2024 entre Galípolo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição.

O caso ganhou repercussão após a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que investigou possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e a atuação de servidores do Banco Central. 

A CPI do Crime Organizado, instalada em novembro de 2025, tem como foco apurar a atuação de organizações criminosas, incluindo práticas de lavagem de dinheiro e eventuais conexões com o sistema financeiro.

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postado em 08/04/2026 11:51 / atualizado em 08/04/2026 11:57
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