
A corrida presidencial de 2026 segue marcada por forte polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o campo bolsonarista, agora representado por Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é do CEO da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, Marcelo Tokarski, durante participação no Podcast do Correio, com os jornalistas Ana Maria Campos e Roberto Fonseca.
Segundo ele, os levantamentos mais recentes indicam que a maior parte do eleitorado já se concentra nesses dois polos. Em cenários espontâneos e estimulados, Lula e Flávio Bolsonaro reúnem a maior fatia das intenções de voto, o que reforça a tendência de repetição do cenário observado em 2022. Apesar disso, o desfecho da eleição permanece indefinido. “A gente tem uma eleição com uma boa dose de certeza e uma grande dose de incerteza”, afirmou.
Tokarski destacou que o atual nível de polarização reduz significativamente o espaço para uma terceira via. Mesmo com certo cansaço de parte do eleitorado, os nomes alternativos não conseguem ganhar densidade suficiente nas pesquisas. Para ele, o eleitor até pode desejar uma opção fora desse embate, mas não encontra candidatos competitivos que o levem a mudar de escolha.
Outro ponto de atenção é o alto índice de rejeição dos principais candidatos. Na avaliação do pesquisador, esse fator tem influenciado diretamente o comportamento do eleitor, que muitas vezes decide o voto com base na rejeição ao adversário, e não necessariamente por identificação com o candidato escolhido. Esse movimento, segundo ele, já vem se consolidando nas últimas eleições presidenciais.
Economia, segurança pública e corrupção como temas centrais
O CEO da Nexus também apontou que temas como economia, segurança pública e corrupção devem ganhar protagonismo ao longo da campanha. Ele observa, no entanto, que há um descompasso entre indicadores econômicos positivos e a percepção da população, especialmente entre os mais pobres. “A economia dos números não conversa com a economia da vida real”, destacou.
Além disso, Tokarski avalia que o impacto de escândalos recentes ainda é incerto, mas pode influenciar o ambiente eleitoral dependendo de novos desdobramentos ao longo da campanha. Ainda assim, diferentemente de momentos anteriores, não há uma percepção concentrada em um único grupo político, o que pode diluir os efeitos sobre o voto.
Apesar do cenário já bastante definido entre os principais nomes, o pesquisador ressalta que boa parte do eleitorado ainda não está totalmente engajada na disputa. A expectativa é de que o interesse cresça nos próximos meses, especialmente com o início mais intenso da campanha e maior exposição dos candidatos.
Para Tokarski, a tendência é que a eleição siga polarizada até a reta final, com o resultado sendo decidido por um eleitorado intermediário, que não se identifica plenamente com nenhum dos dois campos políticos, mas que será decisivo para definir o próximo presidente da República.

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