Caso Master

Ex-presidente do BRB pedirá transferência para fazer delação

Paulo Henrique Costa solicitará saída da Papuda para a Superintendência da PF, primeiro passo na formalização do pedido de colaboração premiada

Os investigadores suspeitam que Paulo Henrique Costa tenha atuado para viabilizar as operações entre os dois bancos em troca de propina -  (crédito: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília)
Os investigadores suspeitam que Paulo Henrique Costa tenha atuado para viabilizar as operações entre os dois bancos em troca de propina - (crédito: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília)

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda, pedirá transferência para a Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. A solicitação tem como finalidade a negociação de um acordo de delação premiada. O executivo foi detido na quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master.

Em conversa com o Correio, o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, afirmou que pediu habilitação no processo nessa quinta-feira. Ele vai ocupar o lugar do advogado Cléber Lopes, que deixou o caso por decisão do cliente. Cléber também advoga em algumas ações do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, que, de acordo com fontes consultadas pela reportagem, deve ser um dos alvos da delação de Costa.

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Aragão ainda não pediu a transferência do cliente por achar que, neste momento, seria uma solicitação precoce. "Está muito prematuro. Pedimos habilitação nos autos hoje (ontem). Ainda tem até amanhã (hoje) para decidirem sobre a manutenção ou não da preventiva. Muito cedo ainda", justificou. O julgamento sobre a prisão de Costa ocorre no plenário virtual da Segunda Turma do STF e está marcado para ser encerrado nesta sexta-feira, às 23h59. Até agora, há dois votos para manter a detenção. 

Na tese a ser apresentada ao Supremo, a defesa vai argumentar que as tratativas para o acordo de delação não podem ocorrer dentro da Papuda. O complexo é administrado pelo Governo do Distrito Federal. Isso poderia comprometer a segurança do investigado, tendo em vista que ele poderá delatar Ibaneis, que há poucas semanas estava no comando do Poder Executivo na capital do país. O ex-governador nega ter participado de qualquer encontro para tratar de situações irregulares envolvendo o Master.

Diligências

A investigação apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito avaliadas em R$ 12,2 bilhões, consideradas fraudulentas e ligadas ao Master. Os investigadores suspeitam que Costa tenha atuado para viabilizar as operações em troca de propina.

A Polícia Federal identificou seis imóveis de alto padrão, quatro em São Paulo e dois em Brasília, que teriam sido entregues como pagamento ilícito, somando cerca de R$ 146 milhões. Desse total, R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Na decisão que determinou a prisão, o ministro André Mendonça, do STF, afirmou que Costa atuava como "verdadeiro mandatário" de Daniel Vorcaro, dono do Master, dentro do banco estatal. Segundo o magistrado, o ex-presidente do BRB participava diretamente da escolha dos imóveis, acompanhava as negociações e demonstrava preocupação com a falta de formalização dos acordos.

Vorcaro também está em tratativas para firmar a delação. Por isso a pressa das defesas. Quem falar primeiro e apresentar provas do que sabe pode esvaziar a possibilidade de delação dos outros investigados.

 

 

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postado em 24/04/2026 03:55
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