
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda, pedirá transferência para a Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. A solicitação tem como finalidade a negociação de um acordo de delação premiada. O executivo foi detido na quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master.
Em conversa com o Correio, o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, afirmou que pediu habilitação no processo nessa quinta-feira. Ele vai ocupar o lugar do advogado Cléber Lopes, que deixou o caso por decisão do cliente. Cléber também advoga em algumas ações do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, que, de acordo com fontes consultadas pela reportagem, deve ser um dos alvos da delação de Costa.
Aragão ainda não pediu a transferência do cliente por achar que, neste momento, seria uma solicitação precoce. "Está muito prematuro. Pedimos habilitação nos autos hoje (ontem). Ainda tem até amanhã (hoje) para decidirem sobre a manutenção ou não da preventiva. Muito cedo ainda", justificou. O julgamento sobre a prisão de Costa ocorre no plenário virtual da Segunda Turma do STF e está marcado para ser encerrado nesta sexta-feira, às 23h59. Até agora, há dois votos para manter a detenção.
Na tese a ser apresentada ao Supremo, a defesa vai argumentar que as tratativas para o acordo de delação não podem ocorrer dentro da Papuda. O complexo é administrado pelo Governo do Distrito Federal. Isso poderia comprometer a segurança do investigado, tendo em vista que ele poderá delatar Ibaneis, que há poucas semanas estava no comando do Poder Executivo na capital do país. O ex-governador nega ter participado de qualquer encontro para tratar de situações irregulares envolvendo o Master.
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Diligências
A investigação apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito avaliadas em R$ 12,2 bilhões, consideradas fraudulentas e ligadas ao Master. Os investigadores suspeitam que Costa tenha atuado para viabilizar as operações em troca de propina.
A Polícia Federal identificou seis imóveis de alto padrão, quatro em São Paulo e dois em Brasília, que teriam sido entregues como pagamento ilícito, somando cerca de R$ 146 milhões. Desse total, R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos.
Na decisão que determinou a prisão, o ministro André Mendonça, do STF, afirmou que Costa atuava como "verdadeiro mandatário" de Daniel Vorcaro, dono do Master, dentro do banco estatal. Segundo o magistrado, o ex-presidente do BRB participava diretamente da escolha dos imóveis, acompanhava as negociações e demonstrava preocupação com a falta de formalização dos acordos.
Vorcaro também está em tratativas para firmar a delação. Por isso a pressa das defesas. Quem falar primeiro e apresentar provas do que sabe pode esvaziar a possibilidade de delação dos outros investigados.
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