
Cinco meses após ter sido indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, chegou ao Senado na manhã desta quarta-feira (29) para a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), acompanhado do ministro da Defesa, José Múcio. A expectativa do governo é que, uma vez aprovado no colegiado, o nome seja levado ao plenário da Casa no mesmo dia.
Para avançar, Messias precisa obter ao menos 14 votos favoráveis na CCJ e, posteriormente, 41 votos no plenário. Caso alcance esse número, será confirmado como novo ministro da Corte, ocupando a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Desde o anúncio de sua indicação, em novembro do ano passado, o chefe da Advocacia-Geral da União intensificou a articulação política, visitando gabinetes de senadores e buscando apoio entre diferentes bancadas. Integrantes do governo avaliam que, apesar de resistências iniciais, há margem para aprovação nas duas etapas.
Relator da indicação, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) afirmou que a sabatina deve ser rigorosa, mas indicou confiança no avanço do nome. A avaliação predominante entre aliados é de que o ambiente no Senado, embora exigente, não deve impedir o aval final.
O processo, no entanto, foi marcado por atritos entre o Palácio do Planalto e o Congresso. A indicação de Messias não foi comunicada imediatamente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o que gerou desconforto político e ruídos na relação institucional.
A insatisfação se agravou porque parte dos senadores esperava a escolha de um nome oriundo do próprio Legislativo, como o ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Diante da resistência, o governo optou por retardar a formalização oficial da indicação, que só ocorreu em 1º de abril, em uma estratégia para recompor apoios e reduzir obstáculos à aprovação.

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