O senador Cleitinho (Republicanos-MG) falou com indignação sobre a jornada de trabalho no país e classificou a escala 6x1 como “desumana”. Ao Correio, o parlamentar defendeu a redução do modelo que hoje é permitido pela legislação e cobrou que o Congresso acelere a discussão.
“É uma coisa desumana. A gente precisa debater isso o mais rápido possível”, afirmou. Segundo ele, a realidade de trabalhar seis dias seguidos com apenas uma folga semanal já não atende mais às expectativas do trabalhador brasileiro, especialmente diante dos baixos salários.
A fala ocorre em meio ao crescimento da pressão social sobre o tema. Pesquisa recente do Datafolha mostra que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, índice que vem em alta desde 2024. O apoio é majoritário em praticamente todos os recortes, com destaque para trabalhadores mais jovens e para aqueles que já atuam em jornadas menores.
Esse cenário ajuda a explicar por que a pauta ganhou força no Congresso e passou a ser tratada como prioridade pelo governo federal. Propostas em tramitação preveem desde a redução da jornada semanal para 40 horas até modelos mais amplos, como 36 horas e dois dias de descanso.
Cleitinho, no entanto, defende que o tema vá além da disputa ideológica. “Isso não é pauta de esquerda ou de direita, é uma pauta brasileira”, disse. Para ele, a dificuldade de contratação em alguns setores já reflete a insatisfação com o modelo atual. “Não está sendo interessante trabalhar nessa escala para ganhar R$ 1.600”, afirmou.
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Oposição
Apesar de integrar um campo político que, majoritariamente, resiste à proposta, Cleitinho adota uma posição divergente dentro da direita no parlamento. Deputados da oposição têm se colocado contra o fim da proposta sob o argumento de que a medida pode elevar custos para as empresas, pressionar o mercado de trabalho e gerar impactos negativos na economia, além de favorecer a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador atribui parte dessa resistência à atuação de parlamentares alinhados a interesses específicos. “Tem muito político aqui que defende alguns setores e não quer que avance”, criticou.
Ainda assim, avalia que há espaço para uma solução de equilíbrio. Defende, por exemplo, medidas como desoneração da folha de pagamento e redução de impostos para compensar eventuais custos às empresas. “Dá para fazer ser bom para o trabalhador e também para o empresário”, argumentou.
Cleitinho também cobrou maior protagonismo do Executivo. “Espero sinceramente que o governo saia da teoria e venha para a prática”, disse, ao defender que a proposta seja tratada como prioridade nacional.
No Senado, o texto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e aguarda votação em plenário, enquanto, na Câmara dos Deputados, iniciativas semelhantes ainda estão em análise nas comissões.
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