A Universidade de Brasília (UnB) recebeu, nesta quarta-feira (22/04), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente a única mulher a ocupar uma cadeira na maior corte do país, Cármen Lúcia ministrou uma aula magna e aproveitou o momento para tecer críticas ao crescimento de discursos misóginos, além de destacar o papel da democracia na garantia de espaços cada vez mais igualitários na sociedade.
“O princípio mais importante do direito hoje, em todo lugar do mundo, é o direito à dignidade humana: dar dignidade aos outros na condição de seres humanos e humanas. Isso porque há pessoas que acham que humanos são os homens, as mulheres nem tanto”, afirmou.
Ao abordar discursos misóginos e conteúdos propagados nas redes sociais, Cármen Lúcia destacou que o mundo digital reforça estereótipos, especialmente sobre os corpos femininos. “Hoje eu tenho medo, porque se exige um tipo de corpo, especialmente para nós, mulheres, que seja adequado ao que os outros acham melhor”, pontuou.
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Ainda sobre pressões estéticas, a ministra comentou o uso excessivo das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Mounjaro, para acelerar o processo de perda de peso: “As pessoas não querem nem emagrecer; querem ser emagrecidas por canetinhas milagrosas. Não acho que ser magra também seja muito bom, porque cansam de me perguntar se tenho algum problema”, relatou. “Sempre me perguntam: ‘Você pesa quanto?’, mas será que perguntam aos meus colegas de trabalho quanto eles pesam?”, questionou.
De acordo com a ministra, é necessário falar sobre democracia diariamente para que ela se perpetue de forma efetiva: "O que faz falta é aquilo que nos completa. É somente quando se perde que se sente falta. Nós precisamos falar e viver a democracia todos os dias".
Cármen Lúcia encerrou a aula destacando que a sala de aula faz parte da garantia da democracia e, portanto, deve ser acessível a todos: "Ainda há um mundo de pessoas neste país que não podem escolher o que querem ser. Há um mundo de meninos e, principalmente, de meninas que não têm as mesmas condições de libertação".
