O ministro Guilherme Boulos, titular da Secretaria-Geral da Presidência da República, insinuou nesta terça-feira (28/4) que a família do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), pré-candidato à Presidência, teria lavado dinheiro por meio da compra de imóveis.
“Entre 1990 e 2020, a família Bolsonaro, em nome de diferentes membros da família, comprou 107 imóveis. Desses 107 imóveis, 51 foram em cash, dinheiro vivo. (...) Se o cara vai roubar, vai fazer um esquema, ele normalmente não vai fazer na conta bancária dele, porque ele deixa o rastro, ele deixa a prova. Então, quando alguém compra um imóvel em dinheiro vivo, a tendência de isso ser dinheiro sujo e de que a compra do imóvel seja lavagem de dinheiro é uma tendência meio óbvia”, afirmou Boulos, em vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais.
Segundo o ministro de Lula, a família Bolsonaro também comprou imóveis subfaturados em relação a preços de mercado. Como exemplos, ele citou aquisições realizadas na capital do Rio de Janeiro e em cidades fluminenses.
“A casa do Vivendas da Barra (no Rio de Janeiro) valia, na época que o Bolsonaro comprou, um valor de mercado de R$ 1 milhão. Ele comprou por R$ 409 mil. Terrenos que ele comprou em Rezende (RJ), ele comprou por R$ 160 mil, mas o valor de mercado era R$ 743 mil. O próprio Flávio comprou 17 apartamentos com duas kitnets em Copacabana, em que ele pagou R$ 320 mil em cheque e R$ 638 mil em dinheiro vivo”, completou o ministro.
Investigação
As declarações de Guilherme Boulos ocorreram no mesmo dia em que deputados federais do PT solicitaram à Câmara que o Banco Central apure a legalidade e a origem dos recursos utilizados por Flávio Bolsonaro para comprar, em 2021, um imóvel de alto padrão no Lago Sul, região nobre localizada em Brasília, que custou R$ 6 milhões.
Assinados pelos parlamentares Rogério Correia (PT-MG), Ana Pimentel (PT-MG) e Juliana Cardoso (PT-SP), o documento aponta incompatibilidade entre a compra do imóvel e a renda de Flávio Bolsonaro, que à época, informou ter renda mensal de R$ 56.833,51. O documento foi apresentado nesta terça-feira, na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
Em nota enviada ao Correio, a assessoria de comunicação do PL — em representação a Flávio Bolsonaro — classificou como "falsas, irresponsáveis e eleitoreiras" insinuações de que o pré-candidato à presidência teria comprado imóveis com dinheiro lavado.
