ciência

Sirius amplia capacidade e impulsiona a inovação

Acelerador de partículas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais passa a contar com quatro novas linhas de luz e expande capacidade dos estudos em saúde, nanotecnologia, energia, computação, agricultura e elementos estratégicos

Lula visita as novas linhas de luz do CNPEM. Ampliação do Sirius coloca o Brasil em um seleto grupo de países que utilizam tal tecnologia -  (crédito:  Ricardo Stuckert / PR)
Lula visita as novas linhas de luz do CNPEM. Ampliação do Sirius coloca o Brasil em um seleto grupo de países que utilizam tal tecnologia - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O Brasil deu mais um passo na ampliação de sua infraestrutura científica com a inauguração de quatro novas linhas de luz do Sirius, acelerador de partículas instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). O complexo, considerado uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo, passa a expandir sua capacidade de pesquisa em áreas ligadas a saúde, nanotecnologia, energia, computação, agricultura e materiais estratégicos.

Na cerimônia, também foi lançada a pedra fundamental do primeiro polo do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. A estrutura será voltada ao desenvolvimento de tecnologias críticas para o Sistema Único de Saúde e deve reunir pesquisas em biotecnologia, inteligência artificial, genômica, biofabricação e dispositivos médicos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que "qualquer quantidade de milhões que colocarmos é muito pequena diante da quantidade de milhões que isso aqui vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira".

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A expansão do Sirius ocorre em meio à estratégia nacional de fortalecimento da soberania científica e tecnológica. Antes da construção do equipamento, pesquisadores brasileiros precisavam recorrer a laboratórios internacionais para realizar estudos moleculares e atômicos de alta complexidade. Com a nova estrutura, o país amplia a autonomia em pesquisas ligadas à produção de medicamentos, vacinas, semicondutores, baterias e minerais considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia.

O Sirius funciona como um grande microscópio de precisão. A estrutura utiliza luz síncrotron, uma radiação eletromagnética extremamente brilhante que permite observar materiais em escala molecular e atômica. O equipamento consegue revelar detalhes invisíveis aos microscópios convencionais e acompanhar transformações físicas, químicas e biológicas em frações de segundo.

A nova etapa do projeto inclui a entrada em operação de quatro linhas de luz voltadas a diferentes áreas de investigação científica. A linha Tatu será utilizada para pesquisas em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, permitindo estudos ligados a telecomunicações, computação e processamento de dados por luz. Segundo o CNPEM, ela será a primeira linha de uma fonte síncrotron de quarta geração a operar na faixa dos terahertz.

Desenvolvida para pesquisas com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos e fluidos humanos, a linha Sapucaia também deverá apoiar projetos internacionais, incluindo estudos em parceria entre Brasil e China nas áreas de biologia estrutural e terapias avançadas.

Já a linha Quati será direcionada à investigação de materiais utilizados nas indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas relacionadas a terras raras e minerais críticos. A linha Sapê terá foco no desenvolvimento de materiais avançados, incluindo supercondutores e semicondutores empregados na fabricação de componentes eletrônicos e novos chips.

Os investimentos no complexo também devem ampliar estudos ligados à saúde pública. O novo polo de inovação em saúde instalado no CNPEM terá capacidade para desenvolver Insumos Farmacêuticos Ativos, biossensores, diagnósticos avançados e dispositivos médicos. A proposta é integrar pesquisadores, universidades, setor produtivo e políticas públicas em um ambiente de desenvolvimento tecnológico voltado às demandas do SUS.

Outro projeto associado ao Sirius é o Orion, laboratório de máxima contenção biológica que está em construção no complexo científico. A estrutura será inédita na América Latina e permitirá pesquisas com patógenos de alto risco biológico em conexão direta com a fonte de luz síncrotron. O objetivo é ampliar a capacidade nacional de desenvolver diagnósticos, vacinas e estratégias epidemiológicas ante a possibilidade de crises sanitárias.

O CNPEM destaca que entre 85% e 90% dos componentes do Sirius foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil. A participação da indústria nacional no projeto fortaleceu cadeias de engenharia de alta precisão e estimulou a formação de profissionais especializados em áreas estratégicas da ciência e da tecnologia.

Com a ampliação do Sirius, o Brasil integra um grupo de países que operam fontes de luz síncrotron de quarta geração, essenciais para pesquisas em tecnologia e inovação.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

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postado em 19/05/2026 03:55
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