Povos originários

MPI e Fiocruz assinam acordo milionário para combater contaminação de agrotóxico

Os territórios Guarani e Kaiowá, no sul do Mato Grosso do Sul, enfrentam graves danos ambientais e agravos de saúde decorrentes da contaminação por agrotóxicos. Dois bebês vieram a óbito em apenas 3 meses

O plano de trabalho do acordo está dividido em duas frentes principais de ação, uma focada na saúde da população e a outra focada na eliminação de agrotóxico -  (crédito: MPI/Divulgação)
O plano de trabalho do acordo está dividido em duas frentes principais de ação, uma focada na saúde da população e a outra focada na eliminação de agrotóxico - (crédito: MPI/Divulgação)

Os territórios Guarani e Kaiowá, no sul do Mato Grosso do Sul, enfrentam graves danos ambientais e agravos de saúde decorrentes da contaminação por agrotóxicos. A região registrou dois óbitos de bebês em apenas três meses no tekoha Jopara, localizado no município de Coronel Sapucaia-MS.

Em ambos os casos, moradores relataram vômitos, diarreia e cefaleia imediatamente após pulverização em lavouras vizinhas, sintomas compatíveis com intoxicação aguda por agrotóxicos. Além disso, em abril de 2025, um indígena faleceu na Terra Indígena Guassuty, em Aral Moreira (MS), após ingerir bebida armazenada em galão de agrotóxico, prática comum por falta de assistência e água potável.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), diante da crise humanitária local, oficializaram, no último sábado (16/5), a assinatura de um Termo de Execução Descentralizada (TED). Com investimento global de R$ 1.146.880 e vigência de 12 meses, a parceria foca no apoio técnico-científico e operacional para enfrentar a situação de urgência.

Segundo dados coletados pelo Gabinete de Crise Guarani Kaiowá, coordenado pelo MPI, 51 territórios revelam que a contaminação é uma rotina: 60,8% das áreas apresentam moradores com sintomas de intoxicação, sendo crianças e gestantes as principais vítimas. Em pelo menos cinco territórios, há denúncias de que agrotóxicos são usados intencionalmente como arma química contra as comunidades. 

Além disso, o diagnóstico aponta que 27,5% das áreas sofrem pulverização aérea e 64,7% terrestre, com equipamento conhecido como “formigão”, o que atinge não apenas a saúde humana, mas também fontes de água e roças de subsistência.

O plano de trabalho do TED está dividido em duas frentes principais de ação: Capacitação em Vigilância Popular em Saúde, para preparar indígenas e especialistas para o reconhecimento precoce de sinais de intoxicação e o estabelecimento de nexo epidemiológico; e Planos de Supressão da Exposição, o desenvolvimento de estratégias em pelo menos três territórios críticos para reduzir ou eliminar o contato com agrotóxicos. 

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

  • Google Discover Icon
CY
postado em 18/05/2026 15:37 / atualizado em 18/05/2026 15:40
x