OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

PT da Bahia também está na linha de tiro por relações com Master

Daniel Vorcaro era sócio do empresário Augusto Lima, que tem histórico com governos petistas no estado. Lideranças da sigla, porém, negam relação

A equipe da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) torce para que a eventual extensão do caso Master para integrantes do PT da Bahia possa contribuir para aumentar as chances dele na corrida eleitoral.

Para isso, a avaliação é de que os tentáculos do esquema envolveram também integrantes do partido do presidente Lula no estado do Nordeste. Daniel Vorcaro era sócio do empresário Augusto Lima, que tem histórico com governos petistas no estado.

No PT, a avaliação é de que eventuais relações suspeitas entre Vorcaro e petistas baianos não deve escalar para nomes nacionais do partido e que qualquer estrago neste sentido ficaria restrito ao cenário regional das eleições.

Lula tem dito que o escândalo do Master é um problema de políticos da direita, especialmente bolsonaristas, e que os integrantes do PT não precisam ter receio das investigações, inclusive por meio de uma CPI. No plenário do Senado, assim que o áudio da conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foi divulgado, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), saiu em defesa do partido.

“A gênese do Banco Master é o Banco Central, à época dirigido pelo indicado pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, e não na Bahia. Vale a pena o senador Flávio Bolsonaro, em vez de tentar empurrar para outros a responsabilidade que é dele... E aí, o senhor vê que Deus é generoso comigo: no dia em que eu decido fazer essa fala, sai esta reportagem do site Intercept Brasil, de um diálogo profícuo entre o senador Flávio Bolsonaro e o sr. Daniel Vorcaro”, disse o senador.

Para Jaques Wagner, Flávio espalha fake news ao querer associar a sigla na Bahia aos esquemas relacionados ao Master. ”Eu vim aqui por conta da fake news que o senador Flávio Bolsonaro fez semana passada, para esclarecer que na Bahia não nasceu nenhum trambique. O trambique nasceu quando o Banco Central, que deveria fiscalizar o que estava acontecendo, não fiscalizou e permitiu que este senhor, Daniel Vorcaro, pudesse fazer o rombo que fez de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões contra o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), talvez o maior escândalo da história bancária deste país”, disse.

Na Polícia Federal, a avaliação é de que o esquema montado por Daniel Vorcaro é suprapartidário e que deve envolver inclusive núcleos estaduais, para sustentar omega esquema de corrupção que se especializou no pagamento de propina, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

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