
Um dos foragidos da sexta fase da Operação Compliance Zero foi preso, neste sábado (16/5), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, como informou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos. Victor Lima Sedlmaier é suspeito de integrar um coletivo de hackers chamado de “Os Meninos”.
O hacker estava foragido desde quinta (14/5), quando foi deflagrada a operação decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do Caso Master.
O grupo seria “especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal” e teria trabalhado em prol do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O líder do grupo, David Henrique Alves, segue foragido. Victor foi preso ao tentar entrar em Dubai e já desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
“A Polícia Federal acionou mecanismos de cooperação policial internacional junto às autoridades dos Emirados Árabes Unidos. A partir da atuação conjunta, foi determinada a não admissão do investigado no país e sua imediata deportação ao Brasil”, disse a PF em nota.
Antes da operação, Victor afirmou em depoimento à PF que trabalhava para Sedlmaier desde 2024 e era responsável pelo “conserto de computadores, deslocamento de veículo para oficina, colocação de créditos em celular, além do desenvolvimento de software de inteligência artificial”.
Além disso, Sedlmaier afirmou que “limpou” o apartamento do líder do grupo no dia 5 de março, um dia após a deflagração da terceira fase da Compliance Zero, quando Vorcaro foi preso. Mendonça justificou a prisão preventiva de Sedlmaier ao pontuar a “atuação imediatamente posterior à fuga ou evasão de David, em contexto objetivamente compatível com a desmobilização do imóvel, retirada de objetos de interesse investigativo e possível supressão de elementos probatórios".
Sedlmaier também é suspeito de ter usado documentos falsos, em 4 de março, dia que a terceira fase foi deflagrada, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) abordou um carro que pertencia a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" de Vorcaro, mas era dirigido por David Alves. Mourão tirou a própria vida enquanto estava na carceragem da PF. Na abordagem da PRF, um documento com o nome de "Marcelo Souza Gonçalves", com a foto de Victor Sedlmaier, foi localizado no veículo.
A PF observou no pedido de prisão que o episódio “agrava consideravelmente a imputação em relação a Victor” por ligá-lo ao núcleo hacker, mas também a “possível uso de documentação ideologicamente falsa em contexto de fuga, ocultação e suporte à atividade criminosa”.

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