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Caso Master: delação de ex-presidente do BRB está sob risco

Agentes da PF avaliam que Paulo Henrique Costa não apresentou material consistente e novas provas até agora, o que pode impedir acordo

A possibilidade de uma delação premiada do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa começou a perder força nos bastidores das investigações da Operação Compliance Zero. Apesar das movimentações recentes da defesa em busca de um acordo de colaboração, fontes ligadas à Polícia Federal avaliam que, até o momento, o executivo não apresentou elementos considerados robustos ou inéditos capazes de garantir avanços concretos nas negociações.

A avaliação ocorre após a saída do advogado e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão da defesa de Costa. Em nota divulgada nesta semana, Aragão afirmou que somente participa de atuações jurídicas pautadas por "absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade", sem detalhar os motivos do desligamento.

O defensor também afirmou que "eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas", sempre com "respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas". Nos bastidores, porém, a troca aumentou as dúvidas sobre o futuro do acordo, que pode implicar, especialmente, autoridades do Distrito Federal.

Preso preventivamente desde abril, Costa vem tentando fechar uma colaboração premiada com investigadores. A estratégia incluiu pedidos de transferência do Complexo da Papuda para uma unidade da Polícia Federal, medida normalmente associada à abertura formal de tratativas para delação. A defesa também promoveu mudanças na equipe jurídica justamente para conduzir as negociações.

Entretanto, investigadores avaliam que o ex-presidente do BRB enfrenta dificuldades para apresentar informações que efetivamente alterem o rumo das apurações. Segundo relatos de fontes da PF, parte relevante dos fatos investigados já teria sido obtida por meio de quebras de sigilo, apreensões de celulares e depoimentos de outros envolvidos no caso. Com isso, a eventual colaboração de Costa precisaria trazer provas novas e informações de maior impacto para despertar interesse das autoridades.

A expectativa de Aragão era de que o cliente assinasse nesta semana um termo de confidencialidade. Na próxima, entregaria de fato os documentos referentes ao acordo de delação, que passaria por análise dos agentes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e operações irregulares envolvendo o Banco Master e o BRB. A PF sustenta que Paulo Henrique Costa teria autorizado operações sem lastro entre as instituições e recebido vantagens indevidas para facilitar negócios ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, um dos principais alvos da apuração. 

 

 

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