A crise que se abateu sobre a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, após a divulgação das relações que mantinha com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou a primeira baixa na equipe. O marqueteiro Marcello Lopes anunciou, nessa quarta-feira, a sua saída do comando da campanha. Ele será substituído pelo publicitário Eduardo Fischer, um dos nomes mais premiados da propaganda brasileira.
Fischer assume com a missão urgente de gerenciar a crise de imagem de Flávio e mitigar os danos provocados pela divulgação de áudios em que o pré-candidato pede dinheiro ao banqueiro para terminar o filme Dark Horse (O azarão) em homenagem ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O publicitário também deve promover uma profissionalização na estrutura do comitê eleitoral do candidato do PL, com mudanças na atual equipe.
Segundo o Correio apurou, havia muito descontentamento com o trabalho de Marcello Lopes, ex-policial civil do DF e amigo de Flávio. Lopes exercia informalmente a função de marqueteiro da pré-campanha e só seria oficializado na função em junho. "Era uma relação conturbada, com muitas brigas internas e muita improvisação", disse um interlocutor do pré-candidato.
"O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar", disse Lopes, em comunicado distribuído pela assessoria, após se reunir com Flávio Bolsonaro. Ele é dono da Cálix Propaganda, que tem, entre seus clientes, o BRB.
Hoje, Eduardo Fischer inicia a transição no comitê do senador. O novo marqueteiro é um dos nomes mais conhecidos e respeitados do mercado publicitário, cinco vezes premiado como "Publicitário do ano". É dele a assinatura de alguns dos mais famosos comerciais da propaganda brasileira, como a campanha "Número 1" de uma cervejaria, lançada em 1991. Na época, Fischer era sócio do publicitário Roberto Justus. O nome dele foi indicação do coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
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Adversários
Em plena crise da candidatura bolsonarista, os pré-candidatos Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) passaram esta quarta-feira em Brasília para aproveitar o palanque da Marcha dos Prefeitos, que reúne, até hoje, na capital federal, mais de 15 mil representantes dos municípios brasileiros. Os dois foram sabatinados, defenderam pautas municipalistas, mas não conseguiram tirar o foco das atenções do escândalo Master e das revelações de que Flávio Bolsonaro não só pediu dinheiro a Vorcaro como encontrou-se pessoalmente com ele, em São Paulo, quando as fraudes no Sistema Financeiro Nacional já eram conhecidas.
Após as críticas que recebeu da própria direita por ter atacado de forma incisiva as relações de Flávio com Vorcaro, Zema chegou a ensaiar um recuo — pressionado, principalmente, pelos diretórios do Novo nos estados do Sul do país, muito ligados ao bolsonarismo. Porém, ele já foi avisado pelos assessores de seu comitê pré-eleitoral de que a estratégia de se contrapor ao filho 01 de Jair Bolsonaro no campo da ética e da moralidade pode render adesões de eleitores decepcionados com o envolvimento de Flávio.
Por falta de recursos, a pré-campanha de Zema não conta com pesquisas diárias — o tracking eleitoral —, mas recebe as medições feitas pelo mercado financeiro sobre o sobe e desce das intenções de voto. Essas informações confirmam a queda de Flávio nos últimos dois dias, mas não apontam crescimento do ex-governador de Minas.
Para a equipe do pré-candidato, o escândalo minou a expectativa de vitória de Flávio na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O fato é que, neste momento, Lula recuperou o favoritismo", atestou um dos estrategistas da pré-campanha.
Em Brasília, ao ser sabatinado pelos prefeitos, o ex-governador mineiro evitou polemizar com Flávio, mas reafirmou que não está satisfeito com as explicações do candidato do PL. "Continuo dizendo que fiquei decepcionado. As explicações, para mim, não foram convincentes, e precisamos tê-las. O Brasil precisa de um presidente que, para fazer as mudanças necessárias, tem que ter credibilidade", disse Zema. Na avaliação dele, Vorcaro (a quem chamou de "banqueiro bandido") procurou "pessoas em quem ele via que seria bem recebido".
"Contaminado"
Na disputa com Zema pelos eleitores descontentes com as revelações sobre Flávio, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado manteve o tom respeitoso em relação ao, até agora, principal nome da oposição. Sem citar o senador fluminense, ele declarou, na Marcha dos Prefeitos, que Vorcaro "contaminou todos os Poderes" e que "todos os Poderes estão envolvidos em escândalos".
Negando ser uma indireta a Flávio, Caiado disse que "a vida do candidato deve ser pública, a pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República".
Desde que as relações perigosas entre Flávio e Vorcaro vieram à tona, Caiado tenta se posicionar como alternativa mais viável da direita anti-Lula em caso de naufrágio da candidatura bolsonarista. Por isso, tem evitado críticas públicas ao senador. O time de analistas de seu comitê pré-eleitoral apurou, por pesquisas internas, que a queda de Flávio — entre três e quatro pontos percentuais, de acordo com tracking eleitoral dos últimos dois dias — ainda não se refletiu em transferência de votos para os oponentes. Ao contrário, os números internos mostram queda entre um e dois pontos percentuais na intenção de voto em Zema e estabilidade entre o eleitorado de Caiado.
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