O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou nesta quinta-feira (21/5) o governador paulista, Tarcísio de Freitas, pela posição contrária ao fim da escala de trabalho 6x1, proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral.
Em entrevista à rádio Nova Difusora, Haddad afirmou que há insatisfação popular com posturas que, segundo ele, priorizam os interesses empresariais em detrimento dos trabalhadores.
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“Há uma insatisfação com esse tipo de postura, de quem fala fino com o andar de cima e fala grosso com a população de baixa renda”, disse Haddad. “É uma pessoa que está sempre pensando no patrão, nunca está pensando no trabalhador", acrescentou.
A declaração ocorreu após Tarcísio defender, na última segunda-feira (18), a manutenção da jornada semanal de 44 horas. Durante discurso na abertura da 40ª Apas Show, considerada a maior feira do setor supermercadista do país, o governador argumentou que mudanças na carga horária poderiam gerar impactos para as empresas.
“A gente não pode enganar o trabalhador, essa é a grande questão. Trabalhador e empreendedor funcionam juntos, formam um único sistema. Não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador”, afirmou Tarcísio.
A proposta de mudança na jornada prevê o fim da escala 6x1, reduzindo a carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com duas folgas remuneradas.
Isenção do Imposto de Renda
Além da jornada de trabalho, Haddad também criticou o governador paulista pela posição contrária à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. O ex-ministro afirmou que a medida havia sido prometida por Tarcísio e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a gestão federal, mas não foi implementada.
“Eu fui incumbido pelo presidente Lula de aprovar no Congresso Nacional a isenção até R$ 5 mil”, afirmou Haddad.
“Acho que um governador, sobretudo do estado de São Paulo, tem que modernizar o estado. E isso significa olhar para o que os países avançados estão fazendo em termos de legislação para garantir mais bem-estar para a base da pirâmide", emendou o petista.
