A temperatura política no Distrito Federal — que ferveu ontem após a governadora Celina Leão (PP) responder publicamente o ultimato do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e da cúpula do partido dele—, arrefeceu, em parte, nesta quinta-feira (21/5).
Menos de 24h depois de dar um ultimato em Celina Leão, Ibaneis optou por calibrar o discurso, mesmo após ela subir ainda mais o tom e declarar, publicamente, que não será submissa; que vai fazer um governo com a sua marca e citar a “herança” (de R$ 4 bilhões) de déficit nos cofres do GDF, além do rombo (de R$ 21,9 bilhões) no BRB.
Em entrevista ao Correio, o ex-governador negou que haja confronto entre ele e Celina e que “vamos continuar nos respeitando”. Perguntado se o MDB vai continuar apoiando os projetos da governadora na Câmara Legislativa, respondeu que “é tradição do MDB dar estabilidade política”.
Para Ibaneis, nem o tom firme, nem as declarações de Celina em resposta às suas cobranças e do seu partido, representam, neste momento, ruptura da aliança entre as duas legendas. “Na política não existe nada definitivo. Sou do diálogo e quero o bem de Brasília”. Ontem, ele havia dito que a relação estava na fase de “preparativos para o divórcio”.
Entenda o caso
No meio da tarde de ontem, Ibaneis Rocha divulgou um vídeo ao lado o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, do presidente regional na legenda, deputado distrital Wellington Luiz, e do deputado federal Leonardo Prudente, declarando que o MDB não abre mão do protagonismo do partido na chapa majoritária para o GDF e para o Senado. E falou em “decepção” com decisões de sua sucessora no Buriti que não estaria dando continuidade ao seu projeto político.
Com as armas temporariamente guardadas, a cúpula emedebista sinaliza que, apesar das feridas expostas, o grupo ainda tentará encontrar um caminho comum para seguir adiante.
