Petróleo

Lula diz que Brasil é país que 'menos sofre' com alta dos combustíveis

Presidente afirmou que governo monitora semanalmente preços, criticou privatização da BR Distribuidora e atribuiu parte da pressão nos combustíveis aos efeitos da guerra entre Irã e Israel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (22/5) que o Brasil é atualmente o país onde a população “menos sofre” com o aumento dos combustíveis, apesar da pressão internacional provocada pela alta do petróleo em meio ao conflito entre Irã e Israel.

Durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, o petista disse que o governo atua para impedir repasses considerados abusivos, e prometeu intensificar a fiscalização sobre distribuidoras e agentes do setor.

“Eu posso te dizer o seguinte: o Brasil é hoje o país que o povo menos sofre o aumento do combustível, embora tenha alguns malandros que aumentaram”, afirmou o presidente.

Lula reconheceu que o preço dos combustíveis segue elevado nas bombas, mas disse que o governo trabalha para reduzir os impactos ao consumidor. Segundo ele, reuniões semanais são realizadas com integrantes da equipe econômica e da área energética para acompanhar a situação e evitar que a crise internacional pressione ainda mais os preços no país.

“Eu brigo todo santo dia para eles baixarem. Toda semana me reúno para discutir, para não deixar que o desserviço da guerra do Irã traga problema para o comprador de feijão no Brasil”, disse.

O presidente afirmou que, logo após o início do conflito e da alta no preço do barril do petróleo Brent, o governo adotou medidas emergenciais para reduzir os efeitos sobre caminhoneiros, taxistas e motoristas.

Entre as ações citadas, Lula mencionou a cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo, diante do aumento dos lucros das empresas exportadoras, e um acordo com governadores para subsidiar parte do ICMS incidente sobre combustíveis.

Apesar das iniciativas, Lula reclamou do comportamento de distribuidoras, alegando que algumas empresas não repassaram os benefícios ao consumidor final. O presidente também voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora, afirmando que a venda reduziu a capacidade de intervenção do governo no mercado.

“Se ele (o ex-presidente Jair Bolsonaro) não tivesse privatizado a BR, a gente teria como controlar”, afirmou. Segundo Lula, a privatização não trouxe melhorias ao país e limitou o poder de atuação do Executivo sobre a cadeia de distribuição.

Fiscalização e críticas às agências reguladoras

O presidente defendeu o endurecimento da fiscalização para conter aumentos considerados injustificados nos combustíveis. Segundo ele, a Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) devem atuar para coibir abusos no setor.

“Nós não temos por que aumentar o preço. O que nós temos é que colocar Polícia Federal, a Agência Nacional de Petróleo na rua para fiscalizar e multar ou prender quem está aumentando sem necessidade”, disse.

Lula também criticou as agências reguladoras e afirmou que órgãos com mandatos iniciados durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teriam deixado de atuar como reguladores e passado a representar interesses empresariais.

Durante a entrevista, o presidente também rebateu os argumentos sobre a necessidade de importação de combustíveis. Segundo ele, o Brasil não precisa importar gasolina, embora reconheça a dependência parcial do diesel importado, estimada em cerca de 30%.

Outra preocupação apontada por Lula é o preço do biodiesel, usado na mistura ao diesel convencional. O presidente afirmou que o governo negocia com empresários para reduzir custos e tornar a mistura economicamente viável. “Tem que baratear também para que a mistura compense”, afirmou.

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