
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (22/5), que o governo federal pretende investir R$ 11 bilhões em ações voltadas à segurança pública e reforçar a atuação das forças federais no combate ao crime organizado.
Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, o petista defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e disse que a proposta permitirá ampliar o papel da União no enfrentamento às facções criminosas.
Segundo Lula, o plano prevê R$ 1 bilhão em investimento direto do governo federal, e outros R$ 10 bilhões em financiamentos destinados a estados e municípios para aquisição de equipamentos, tecnologia e fortalecimento das estruturas de combate à violência.
“O território é do povo, e o bandido tem que ir para a cadeia”, afirmou o presidente ao defender maior presença do Estado no enfrentamento ao crime organizado.
Entre as medidas anunciadas, Lula citou o fortalecimento da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da criação de uma “guarda nacional de verdade”. De acordo com ele, a ideia é reduzir a dependência das operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), mecanismo utilizado pelo governo federal para mobilizar as Forças Armadas em situações excepcionais de segurança.
“Vai me permitir criar, reforçar a Polícia Federal, reforçar a Polícia Rodoviária Federal, criar uma guarda nacional de Verdade, para não ficar fazendo GLO, quando tem um problema qualquer. Nós temos que ter uma polícia profissionalizada, com inteligência, para a gente tomar conta da bandidagem”, afirmou o presidente.
O presidente também destacou o combate ao patrimônio das organizações criminosas como uma das frentes centrais da política de segurança. Segundo Lula, a PEC da Segurança prevê mecanismos para enfraquecer financeiramente as facções. “Uma das frentes é acabar com o poderio econômico das facções criminosas”, disse.
Educação como prevenção
Durante a entrevista, Lula também associou o combate à violência a políticas educacionais, defendendo a ampliação das escolas de tempo integral como instrumento de proteção social. Segundo o presidente, manter crianças e adolescentes mais tempo nas unidades de ensino representa mais segurança para as famílias, e reduz a exposição dos jovens à criminalidade.
“A escola de tempo integral é uma segurança para a mãe e para o pai sair para trabalhar de manhã sabendo que o seu filho vai ficar (na escola) das oito horas até às cinco horas da tarde”, afirmou.
Lula também citou um pacto firmado entre União, estados e municípios para ampliar a alfabetização infantilm e afirmou que o governo quer elevar os índices de alfabetização na idade adequada até 2030.
Apesar de defender maior protagonismo federal na segurança pública, o presidente reconheceu a resistência de governadores à PEC da Segurança. Segundo ele, parte dos estados teme perder influência sobre as forças policiais. “Embora todo mundo reclame da polícia, a polícia é um pedaço de poder que nenhum governador quer abrir mão”, declarou.

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