CB Debate

Reginaldo Lopes: 'Fim da escala 6x1 é política de ganha-ganha'

Deputado afirma que a proposta pode representar a maior mudança desde a criação da CLT, e que o debate vai além das questões econômicas, refletindo uma transformação estrutural no mercado de trabalho

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou, nesta terça-feira (26/5), que a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 representam uma “política de ganha-ganha” entre trabalhadores e empresas.

Segundo o parlamentar, o debate vai além das questões estritamente econômicas e reflete uma transformação mais ampla e estrutural no mercado de trabalho brasileiro e nas relações laborais.

Lopes alertou para um cenário de “apagão de mão de obra” e para o adoecimento da força de trabalho, defendendo a revisão das jornadas como medida urgente. “O maior patrimônio de um país e de uma empresa não são as máquinas. Seres humanos não são máquinas. Os trabalhadores querem mais tempo, tempo de qualidade e bem-estar”, afirmou.

A declaração foi feita durante o CB Debate Escala 6x1: Em Busca do Equilíbrio na Jornada de Trabalho, realizado pelo Correio, que reúne autoridades, parlamentares, especialistas e representantes do setor produtivo.

Reginaldo Lopes disse ainda que a própria dinâmica do mercado já pressiona por mudanças nas jornadas. “As empresas não vão conseguir mais contratar se não ofertarem dois dias de descanso. Essa realidade já está posta”, declarou.

Para ele, o avanço tecnológico e a inovação produtiva tornam anacrônico manter o trabalhador em padrões do século passado. “Nós não podemos manter o trabalhador no século XX”, completou.

O deputado também apontou distorções na estrutura do emprego no país, afirmando que “quem trabalha mais no Brasil, muitas vezes, ganha menos”, e relacionou o problema ao alto índice de absenteísmo.

Segundo ele, a ausência frequente de trabalhadores impacta diretamente a rotina das empresas. “O que prejudica o dia a dia das empresas é a ausência do trabalhador, que, muitas vezes, não consegue conciliar vida pessoal e trabalho”, disse.

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Ao defender a proposta, Lopes afirmou que a mudança não elimina modelos já existentes, mas amplia possibilidades de organização da jornada. “Não é verdade que não existirão outras escalas. O Brasil tem mais de 100 combinações possíveis de carga horária”, explicou. Ele citou ainda a escala 12x36 como um dos formatos já consolidados.

Para o parlamentar, a sociedade e a economia brasileiras estariam preparadas para uma transição. “É uma política de ganha-ganha. Todos vão ganhar com essa mudança”, disse, ao argumentar que pesquisas indicariam ampla aprovação popular à redução da jornada.

Maior mudança desde a CLT 

Lopes também classificou a proposta como uma das maiores transformações do Parlamento desde a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ao prever aumento do tempo livre do trabalhador. Ele ainda relacionou o tema a um “pacto geracional”, defendendo que a redução da jornada pode impactar positivamente produtividade, qualidade de vida e organização social.

Ao final, o deputado afirmou que o debate envolve também os custos sociais e econômicos do modelo atual, como afastamentos por doenças e pressão sobre a Previdência. Para ele, a proposta representa uma mudança estrutural em curso e está próxima de avançar no Legislativo.

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