CB DEBATE

Fim da escala 6x1 deve gerar aumento da informalidade, diz executivo da CNT

Frederico Melo, responsável pelas relações trabalhistas na entidade, alerta sobre prejuízos com aumento de cargos informais no setor

O aumento da informalidade é um dos principais pontos mencionados por opositores ao fim da escala 6x1 para criticar o avanço da proposta no Legislativo. A preocupação do setor produtivo é que, em determinados setores, a redução da jornada de trabalho formal leve a um aumento de custos para o trabalhador que, por consequência, pode optar por um emprego informal para compensar a perda financeira.

Com essas premissas, o gerente executivo de Relações Trabalhistas da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Frederico Toledo Melo, acredita que a informalidade é um efeito colateral com a redução da jornada, mesmo com a manutenção do salário atual, visto que a inflação é um processo menos controlável e que poderia corroer o poder de compra do trabalhador.

“Se eu trago a manutenção do salário e há um efeito econômico, a inflação, essa pessoa vai sentir o poder de compra dela com aquele mesmo valor tende a diminuir. Se aquele cobertor que já é curto e faz o mínimo, qual vai ser a saída dele para continuar dando a mesma quantidade que se tinha que já se dá hoje? Ele vai precisar trabalhar mais e o resultado disso vai ser a informalidade”, considerou o executivo.

Melo foi um dos participantes do 1º painel do CB Debate “Escala 6x1: em busca do equilíbrio na jornada de trabalho”, promovido nesta terça-feira (26/5) pelo Correio Braziliense, com o apoio do Sistema Indústria (CNI/Sesi/Senai/IEL) e da Confederação Nacional do Transporte (CNT). O debate está disponível na íntegra no canal oficial do Correio no YouTube.

O painelista, que representa o setor de transportes, mencionou, durante o evento, as preocupações com a evasão de profissionais do regime de trabalho convencional. Enquanto a taxa de informalidade no Brasil é próxima a 40%, nesse setor é de apenas 8%. Apesar de explicar que faz sentido a formalização ser maior no segmento, um aumento dos custos para as empresas poderia gerar também prejuízos para os motoristas e todos os envolvidos na cadeia logística.

“Qual é a consequência lógica se a gente tem uma redução de jornada abrupta, mas se a gente não tiver um escalonamento de trabalhador para colocá-los? A gente vai ter menos oferta de ônibus público, seja urbano, seja intermunicipal, seja internacional, e 95% dos nossos passageiros utilizam transporte terrestre”, destacou Melo, que acredita em efeitos adversos para outros setores, como consequência.

“É muito importante que isso seja dito, porque isso vai afetar diretamente a pessoa que utiliza o transporte público. As cargas tendem a demorar mais e com valor mais elevado”, acrescentou o gerente-executivo.

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