O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) afirmou nessa terça-feira (27/5) que não descarta uma aliança com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) para a disputa presidencial de 2026. A declaração foi feita durante evento com investidores em São Paulo, em meio ao agravamento da crise entre Zema e a família Bolsonaro após críticas do mineiro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao comentar possíveis composições para a eleição presidencial, Zema afirmou que as definições devem ocorrer apenas próximo ao prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral para o registro das candidaturas, em 15 de agosto.
“Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse Zema.
O ex-governador também destacou a relação com Caiado e mencionou afinidades administrativas entre Minas Gerais e Goiás. Questionado sobre a possibilidade de ocupar a vice em uma eventual chapa encabeçada pelo ex-governador goiano, respondeu em tom de brincadeira.
“Eu gosto dele. No meu governo, criamos um consórcio, com sete governadores, e me dei muito bem com todos, inclusive com o Tarcísio. Goiás e Minas são quase estados gêmeos, com uma semelhança muito grande", ponderou.
Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, Zema apareceu com 3% das intenções de voto, enquanto Caiado registrou 4%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 40%, e Flávio Bolsonaro, 31%.
Desgaste com clã Bolsonaro
O movimento ocorre em meio ao desgaste da relação entre Zema e o bolsonarismo. O atrito ganhou força após o ex-governador mineiro passar a criticar publicamente Flávio Bolsonaro em razão das revelações sobre a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nessa terça-feira (26/5), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) intensificou os ataques ao Novo e classificou a legenda como “papel higiênico da esquerda” em publicação na rede X. A manifestação ocorreu após novas declarações de Zema durante evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, em São Paulo.
Na ocasião, o ex-governador afirmou estar “muito preocupado” com os impactos eleitorais da crise envolvendo Flávio e Vorcaro para o campo da direita em 2026. “Essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio, muito provavelmente, vai estar entregando a eleição para o Lula", disparou.
As críticas provocaram reação também do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), que chamou Zema de “baixo” em publicação nas redes sociais e acusou aliados do ex-governador de atuarem contra Flávio Bolsonaro.
O embate teve início após a divulgação de mensagens e áudios que indicaram interlocução entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, incluindo pedidos de recursos para financiar uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador admitiu o contato, mas negou irregularidades e afirmou que buscava apoio privado para o projeto.
Nos últimos dias, Zema intensificou as críticas ao senador. Em uma das manifestações, afirmou que a relação entre Flávio e Vorcaro representava “um tapa na cara dos brasileiros de bem” e apontou incoerência entre o discurso da direita e a aproximação com um banqueiro investigado.
Em resposta, Eduardo Bolsonaro divulgou uma doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao diretório mineiro do Novo durante a campanha de reeleição de Zema, em 2022.
