Fim da escala 6x1

'Manobra para não votar nada', diz Érika Hilton sobre apoio do PL à escala 4x3

Em resposta à movimentação da oposição, a deputada iniciou uma série de agendas no Palácio do Planalto e com o presidente da comissão especial, deputado Alencar (PT-SP), para alinhar estratégia

A deputada federal Érika Hilton (PSol-SP) classificou como uma "manobra" a recente mudança de posicionamento do Partido Liberal (PL), que passou a defender o fim da jornada de trabalho 6x1 e a adoção da escala 4x3. Para a parlamentar, a guinada repentina da legenda oposicionista não reflete uma preocupação real com a dignidade do trabalhador, mas sim uma tentativa de "limpar a própria barra" diante da pressão social e de escândalos políticos.

Segundo Hilton, o objetivo do PL ao propor a escala 4x3 neste momento é obstruir os trabalhos e atrasar a votação, evitando que qualquer mudança seja aprovada. "A mudança do PL não é um acordar de bonzinhos (...) é tentar garantir que não se vote nem 5x2, nem 4x3 e que não se vote nada", afirmou a deputada ao Correio, ressaltando que, durante anos, membros do partido foram os maiores críticos da proposta, alegando que "quebraria o Brasil".

Em resposta à movimentação da oposição, a deputada iniciou uma série de agendas no Palácio do Planalto e com o presidente da comissão especial, deputado Alencar (PT-SP), para alinhar a estratégia do governo e dos apoiadores da medida. O objetivo, segundo a parlamentar, é garantir que a proposta seja aprovada em dois turnos na Câmara ainda este ano e encaminhada ao Senado Federal.

Embora pessoalmente defenda a escala 4x3 — tendo inclusive apresentado emenda sobre o tema —, a deputada argumenta que insistir nesse modelo agora colocaria em risco todo o avanço conquistado. "Hoje o que está maduro para ser votado, o que está pronto e redondo, é a escala 5x2. Qualquer mudança dessa magnitude atrapalharia e atrasaria o processo inteiro. Precisamos garantir que o acordo seja respeitado para que o relatório seja levado ao plenário o quanto antes", afirmou a parlamentar.

Desafios no Senado

O cenário no Senado é visto com cautela pela deputada. No entanto, Érika Hilton aposta na proximidade do período eleitoral como um trunfo para a aprovação. "O Senado tem sido realmente uma incógnita para nós e temos estado bastante preocupados [...] mas acreditamos que o senador tem uma preocupação maior com o voto majoritário. Diferente do deputado, o voto do senador não é de nicho; eles estão preocupados com suas reeleições e temos que aproveitar essa brecha eleitoral para garantir que votem com o povo e deem dignidade aos trabalhadores", citou.

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