O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta sexta-feira (29/5), estar “muito triste” com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.O petista destacou que as facções são de fato “terroristas para as comunidades brasileiras”, mas “não são os terroristas que o (presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump quer”. Ele cobrou, ainda, que os EUA “entreguem” o ex-deputado Alexandre Ramagem e o advogado do Grupo Refit, Ricardo Magro.
“Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, comentou, durante o anuncio de investimentos da Petrobras em Sergipe. “O Trump quer o Osama Bin Laden de não sei das quantas e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá”, emendou.
Lula ressaltou que as armas contrabandeadas são de origem norte-americana. Segundo o chefe do Executivo, na visita ao presidente norte-americano no começo do mês foi entregue um documento que coloca o Brasil “disposto a trabalhar para combater o crime organizado”. “E vamos começar pelo seu estado de Delaware que tem lavagem de dinheiro de brasileiro”, avisou.
“Vamos começar entregando o Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá. Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, Ricardo Magro, que a Polícia Federal e a Receita apreenderam quase 250 milhões de combustível contrabandeado, foi dado à Petrobras, e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, afirmou, frisando que não aceitará que o Brasil seja tratado como "moleque" ou "republiqueta ".
O presidente aproveitou para criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria ido aos Estados Unidos pedir a classificação terrorista ao PCC e CV. Lula lembrou que Marco Rubio não estava presente no encontro que teve com Trump recentemente.
“Possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição aqui nesse país e não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. (...) Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficariam presos lá”, cutucou o petista, que pediu novamente que o Senado aprove a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
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