Seção 301

"Sempre que o diálogo avança, sabotadores agem", diz Alckmin sobre EUA

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, aproveitou para criticar diretamente Flávio Bolsonaro e sua visita aos EUA

"Sempre que o diálogo avança, sabotadores agem para prejudicar o país, colocando seus interesses pessoais, eleitorais, acima do interesse do Brasil", disse o vice-presidente - (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Sem citar nomes, o vice-presidente Geraldo Alckmin avaliou, nesta terça-feira (2/6), que a recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de taxar em 25% produtos brasileiros é responsabilidade de “sabotadores”.

“Sempre que o diálogo avança, sabotadores agem para prejudicar o país, colocando seus interesses pessoais, eleitorais, acima do interesse do Brasil e do povo brasileiro, porque isso tem reflexo no emprego. Prejudica emprego, renda, empresas, a sociedade. E o presidente Lula vai trabalhar para que isso não se converta”, opinou o vice.

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Durante a agenda em Catalão (GO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi mais direto e citou o que chamou de “meninos de Bolsonaro”, posição seguida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Marcio Elias Rosa.

“Toda vez que a gente avança, surge um complicador, alguém para dificultar o diálogo. E aí, muitas vezes, há a ameaça de um retrocesso (...) Quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visita a Casa Branca, como fez na última semana, para patrocinar, por exemplo, a classificação das organizações criminosas como terroristas, ele acaba por produzir um resultado que contraria a ação das nossas polícias, como da Polícia Federal, que mantém relação de atuação cooperada, conjugada, com as autoridades norte-americanas”, alfinetou o ministro.

O órgão dos EUA recomendou uma série de ações após uma investigação do governo de Donald Trump avaliar que o governo brasileiro adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com o país. O Pix foi um dos alvos do parecer e, embora, Alckmin tenha pontuado que o diálogo com os norte-americanos é constante, o vice-presidente tirou o modo de pagamento do rol de assuntos.

“O Pix não tem a menor lógica entrar nisso, porque não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira. O governo está sempre aberto ao diálogo”, reforçou Alckmin.

Taxa não deve se concretizar, avalia governo

Márcio Elias Rosa garantiu que a equipe do governo não acredita que as propostas dos EUA devem se concretizar, e explicou que, tal como estão, as recomendações alcançariam 21% do que o país exporta para os EUA.

“Porque temos cerca de 54% do que exportamos para os EUA livre do tarifaço, 25% na seção 232 e 21% é o que ficaria exposto se essa recomendação se convertesse, se essa tarifa fosse aplicada. Os setores mais atingidos seriam os de máquinas, de equipamentos, o que tem valor agregado e traz muito prejuízo. Setor de plásticos, de madeira, de esquadria, papel, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos. Essas são as áreas mais expostas, caso essa proposta se convertesse em tarifas, coisa que a gente acredita que não vai ocorrer”, disse Rosa.

O ministro destacou que um “diálogo permanente” foi acertado entre os dois países na última visita de Lula a Donald Trump no começo de maio, e que foram pelo menos quatro reuniões formais, com a última na quinta passada (28/5). “Na sexta (29) pela manhã, equipes técnicas também se reuniram para a discussão de vários aspectos e prestar todos os esclarecimentos", declarou.

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postado em 02/06/2026 14:40
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