
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu, nesta terça-feira (2/6), uma reação baseada na cautela e no diálogo diante da proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o parlamentar, o país precisa esgotar todos os canais diplomáticos e institucionais antes de adotar medidas de resposta à ofensiva comercial norte-americana.
Após uma reunião reservada com integrantes da comissão, Trad afirmou que o Senado avalia diferentes alternativas para atuar na negociação, incluindo uma possível nova missão parlamentar aos Estados Unidos.
Apesar disso, ressaltou que ainda não há definição sobre datas ou formato da iniciativa. “Primeiro, precisamos ouvir os setores, reunir informações. A missão não está descartada, mas precisa ter objetivo claro e utilidade concreta”, declarou.
O senador lembrou que, em julho do ano passado, a CRE liderou uma comitiva suprapartidária aos Estados Unidos em meio a tensões comerciais entre os dois países.
De acordo com ele, os canais de interlocução abertos naquela ocasião continuam relevantes para a defesa dos interesses brasileiros. A nova tarifa anunciada pelos norte-americanos ainda não entrou em vigor, e a decisão final está prevista para meados de julho.
Trad também alertou para os riscos de uma reação precipitada por parte do Brasil. Na avaliação do parlamentar, a chamada Lei da Reciprocidade deve ser utilizada com responsabilidade, evitando o agravamento do conflito comercial.
“Retaliação sem estratégia pode aumentar o problema para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros. A resposta precisa ser firme, serena e técnica”, afirmou.
Colegiado consulta governo e empresários
A comissão iniciou uma série de consultas com representantes dos setores que podem ser afetados pela medida.
O presidente da CRE informou que mantém contato com o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de integrantes do Ministério das Relações Exteriores, para acompanhar as negociações e avaliar os impactos econômicos da proposta norte-americana.
Segundo Trad, produtores, empresas e entidades representativas devem encaminhar à comissão informações detalhadas sobre possíveis prejuízos decorrentes das tarifas, incluindo contratos, mercados atingidos e riscos de perda de competitividade.
O senador destacou que a proposta dos Estados Unidos ainda passará por consulta pública e novas audiências antes de uma decisão definitiva. “O prazo é curto, mas o Brasil precisa usar todos os caminhos disponíveis para defender seus interesses”, concluiu.

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