Relações Exteriores

Lula defende paz e diz que Trump não foi eleito "imperador do mundo"

Durante reunião ministerial, presidente afirma que o Brasil continuará atuando em defesa do multilateralismo, critica o incentivo a conflitos internacionais e promete enviar nova carta a Trump

"Eu não fui eleito imperador da América Latina, e muito menos o Trump foi eleito imperador do mundo", disse Lula - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (3/6), durante reunião ministerial, que o Brasil seguirá defendendo a paz, o fortalecimento da democracia e o multilateralismo nas relações internacionais.

Ao comentar tensões diplomáticas e comerciais envolvendo os Estados Unidos, Lula voltou a criticar setores que, segundo ele, atuam contra os interesses nacionais e classificou essas atitudes como algo que, em outros contextos históricos, seria visto como “traição da pátria”.

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“Em qualquer outro país do mundo, em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria”, declarou o presidente.
Lula ressaltou que não deseja conflitos com nenhum país, e afirmou que a convivência pacífica depende do fortalecimento das instituições democráticas e do respeito entre os chefes de Estado.
“Eu não quero guerra com os Estados Unidos, eu não quero guerra com a China, eu não quero guerra com a Bolívia, eu não quero guerra com o Uruguai. O que eu quero é provar que somente é possível a gente viver em paz se a gente fortalecer a democracia, se a gente fortalecer o multilateralismo”, disse.
O presidente também voltou a citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que respeita a escolha feita pelos eleitores norte-americanos, mas cobrou reciprocidade em relação ao resultado das eleições brasileiras.
“O Trump foi eleito pelo povo americano, e eu respeito o resultado eleitoral americano. Eu fui eleito pelo povo brasileiro. Ele tem que respeitar o voto do povo brasileiro. Eu não fui eleito imperador da América Latina, e muito menos o Trump foi eleito imperador do mundo”, afirmou.

Atuação das Nações Unidas

Durante o discurso, Lula fez um apelo aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — para que assumam um papel mais ativo na busca por soluções diplomáticas para os conflitos em andamento.
“O que eu espero, e estou implorando já há algum tempo, é que os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) tenham a capacidade de se reunir”, declarou.
Segundo o presidente, a função dessas potências deve ser a preservação da paz global, e não o estímulo a novos confrontos. Lula afirmou que guerras recentes resultam de decisões unilaterais dos países envolvidos, e alertou para os riscos de uma escalada militar envolvendo armamentos nucleares.
“Todos eles sabem que, se a gente tiver um conflito mais sério, se for necessário utilizar armas nucleares, a gente não está ganhando de um país. A gente está destruindo o planeta Terra”, disse.
Ao reforçar a posição brasileira, Lula afirmou que o país continuará se posicionando contra conflitos e em defesa da cooperação internacional. “Nós queremos paz, nós queremos progresso, nós queremos desenvolvimento, nós queremos melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro”, afirmou.
O presidente também informou que pretende encaminhar uma nova carta a Trump e continuar publicando artigos na imprensa internacional para defender a posição brasileira. Segundo ele, os Estados Unidos estariam adotando posturas que contribuem para aumentar tensões globais de forma desnecessária. “Para nós, ou é a paz, ou não é nada, e nós queremos paz”, concluiu.

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postado em 03/06/2026 13:41
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