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Padilha alfineta Zema sobre Hospital de Divinópolis: "tijolo não salva vida"

Ministro da Saúde defende papel do governo federal na operação do Hospital Regional de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, na sexta-feira (15/12)  -  (crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, na sexta-feira (15/12) - (crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Em meio à disputa política sobre os créditos pela entrega do Hospital Regional de Divinópolis, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta sexta-feira (19/6) o papel do governo federal para o funcionamento da unidade e alfinetou o ex-governador Romeu Zema (Novo), sem citá-lo nominalmente.

Durante a cerimônia de inauguração do hospital, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Padilha afirmou que a abertura da unidade representa um exemplo de "civilidade política" e de cooperação entre diferentes esferas de governo.

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O ministro contextualizou sua fala ao criticar o ambiente de confronto institucional que, segundo ele, marcou o país nos últimos anos. "O presidente passa por cima de tudo isso, vem aqui e põe para funcionar um hospital que foi construído por ele (Zema), mas quem vai botar para funcionar é o presidente Lula."

A declaração ocorre em um momento de disputa sobre o protagonismo na obra. O hospital foi construído e equipado pelo governo de Minas Gerais com recursos do acordo de reparação firmado com a mineradora Vale após o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019. Posteriormente, a estrutura foi doada à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), por meio de lei aprovada na Assembleia Legislativa.

Aliados de Zema costumam atribuir ao ex-governador o mérito pela conclusão do empreendimento. O próprio ex-chefe do Executivo estadual chegou a afirmar que era o "pai e a mãe" do hospital. Em fevereiro, pouco antes de deixar o cargo para disputar a presidência da República, Zema participou de uma inauguração simbólica da unidade, quando ela ainda não atendia pacientes. O funcionamento efetivo começou apenas nesta semana.

Sem mencionar diretamente o ex-governador, Padilha fez referência ao fato de a estrutura física já estar pronta, mas ser apenas uma etapa do processo. "Tijolo não salva a vida de ninguém. O que salva a vida das pessoas é a estrutura, os equipamentos, mas, sobretudo, o trabalho dos profissionais, das enfermeiras, dos enfermeiros, dos médicos e de todos aqueles que fazem a manutenção do hospital", declarou. 

"Hospital é igual filho. Colocar filho no mundo todo mundo coloca. Mas criar, cuidar, fazer crescer, só quem tem compromisso", completou. A gestão da unidade ficará sob responsabilidade da Rede HU Brasil pelos próximos 20 anos. O custo anual estimado para manutenção é de R$ 341 milhões, sendo R$ 111 milhões financiados pelo Ministério da Saúde e R$ 230 milhões pelo Ministério da Educação.

Padilha também reservou parte de sua fala para criticar, sem mencionar nomes, a condução da política de saúde durante o governo Jair Bolsonaro. Ao defender o papel das universidades federais e da ciência, o ministro lembrou falas do ex-presidente que desqualificavam instituições de ensino, incentivavam tratamentos sem comprovação científica durante a pandemia de COVID-19 e atacavam programas estruturantes da saúde pública.

"Eu desafio esse ex-presidente, se um dia ele sair de onde está, que venha um dia visitar este hospital universitário para ver se aqui se faz balbúrdia. Aqui se salvam vidas, se curam pessoas, se faz ciência, se formam alunos e profissionais", provocou.

Ao defender a atuação do governo federal, o ministro afirmou que a decisão de garantir o custeio da unidade permitirá não apenas a ampliação da assistência à população do Centro-Oeste mineiro, mas também a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.

"O senhor está fazendo aqui uma estrutura de prédio de tijolo funcionar, custear a cada ano, manter os recursos, salvar vidas e formar futuros profissionais”, afirmou Padilha ao dirigir-se ao presidente Lula.

A fala reforçou a narrativa adotada por integrantes do governo federal durante a inauguração de que o Hospital Regional de Divinópolis é resultado da participação conjunta de diferentes atores institucionais. Mais cedo, a deputada estadual Lohanna França (PV), autora da lei que formalizou a doação da unidade à UFSJ, também evitou entrar na disputa pela "paternidade" da obra e afirmou que os verdadeiros donos do hospital são os moradores da Região Centro-Oeste de Minas.

Uma nova placa deverá substituir a instalada durante a cerimônia realizada em fevereiro. Dessa vez, o registro passará a reconhecer a participação do Governo de Minas Gerais, da União, da UFSJ e da Prefeitura de Divinópolis na concretização do projeto.

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SP
postado em 19/06/2026 22:19 / atualizado em 19/06/2026 22:38
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