
A crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após divergências sobre articulações eleitorais no Ceará, foi recebida com discurso de contenção dentro da oposição no Congresso Nacional. Para o líder do PL no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), o episódio não deve produzir efeitos duradouros na unidade do grupo político.
Izalci classificou o atrito como uma “questão de família” e afirmou que situações semelhantes são comuns em diferentes partidos. “Acho que será superado rapidamente. […] Isso acontece em qualquer família, em qualquer partido”, disse ao Correio nesta quinta-feira (25/6).
Segundo o parlamentar, a controvérsia teria sido agravada pelas articulações no Ceará, onde aliados discutem estratégias para 2026 envolvendo o ex-governador Ciro Gomes, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e o deputado federal André Fernandes (PL-CE). No estado, há uma disputa interna sobre alianças e candidaturas majoritárias que acabou expondo divergências no núcleo bolsonarista.
“A questão do Ceará pegou essas coisas que já vinham arrastadas há algum tempo”, avaliou Izalci. Para ele, o ponto central da estratégia da direita no estado deve ser a derrota do PT, e isso exigiria flexibilidade nas composições locais.
Apesar disso, o senador minimizou a ideia de ruptura. “O importante no Ceará é derrotar o PT. Esse é o objetivo principal”, afirmou, acrescentando que a divergência entre Michelle e Flávio estaria relacionada a prioridades distintas dentro da construção eleitoral regional.
Na avaliação de Izalci, o impasse não deve impactar o desempenho eleitoral da oposição. “Não acho que isso vai afetar nada. As pessoas sabem que esse tipo de coisa acontece dentro de casa”, disse.
O parlamentar também afirmou que a ex-primeira-dama exerce papel político relevante dentro do campo conservador, especialmente junto ao eleitorado feminino e evangélico, mas que isso não altera a expectativa de resolução rápida do conflito. “Ela é uma liderança, fez um trabalho importante, mas isso se resolve com conversa”, declarou.
Nos bastidores, dirigentes do PL tratam o episódio como uma disputa de coordenação política em torno da pré-campanha presidencial de 2026, em meio à tentativa de manter coesão entre diferentes grupos que orbitam o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Política
Política
Política