
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, intensificou as críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nesta terça-feira (30/6) ao acusá-lo de retardar a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1.
Segundo ele, manter o texto parado há mais de um mês representa uma afronta ao clamor popular e pode provocar uma reação da sociedade. “O presidente do Senado está errando e está errando feio. Mais que isso, ele está brincando com fogo”, afirmou durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, que contou com a participação do Correio.
Boulos disse que não há justificativa para a proposta permanecer sem despacho de Alcolumbre, desde que foi aprovada pela Câmara dos Deputados, em 27 de maio. "Não tem justificativa para uma pauta aprovada por mais de 70% da população brasileira ficar parada numa gaveta. Parece que isso ocorre por interesses menores, enquanto milhões de trabalhadores continuam submetidos a uma rotina de exaustão", declarou.
O ministro afirmou que a resistência à tramitação da PEC decorre tanto da atuação de setores empresariais quanto da condução política do Senado. Segundo ele, entidades representativas do comércio e da indústria promovem um "terrorismo patronal" ao argumentar que o fim da escala 6x1 provocaria inflação e prejuízos econômicos.
"Isso não cola mais. Tivemos aumento real do salário mínimo nos últimos anos, a economia cresceu, ninguém quebrou e a inflação caiu. Esse discurso é apenas uma tentativa de barrar uma conquista dos trabalhadores", disse.
Eleições
Boulos também afirmou que adiar a votação para depois das eleições seria uma estratégia para reduzir o custo político de parlamentares contrários à proposta. "Você é contra? Vote contra. Mas deixe o projeto ser votado. O trabalhador brasileiro não pode ser feito de besta por causa de disputas políticas", criticou.
Além da PEC do fim da escala 6x1, o ministro acusou o Senado de travar outras matérias consideradas prioritárias pelo governo, como a PEC da Segurança Pública e o projeto sobre exploração de terras raras. Segundo ele, o Executivo continuará pressionando para que os temas avancem antes do período eleitoral.
"O governo vai insistir para que essas pautas sejam votadas antes das eleições. O Senado está subordinando assuntos essenciais para o país a interesses menores, e isso não é bom para o Brasil", afirmou.

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