Uma possível reversão da classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelos Estados Unidos é praticamente descartada para os próximos dias, assume o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O entendimento do Planalto é que modificar a decisão logo após a adoção seria admitir que ela não foi bem pensada. Os Estados Unidos vão classificar as duas facções criminosas como organizações terroristas a partir desta sexta-feira (5/6).
O receio da presidência da República pela iminente validação é que isso sirva de pretexto para que o país norte-americano adote medidas econômicas e até militares contra o Brasil.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia se manifestou publicamente de forma contrária a essa medida. "A classificação pelo governo americano de organizações criminosas como organizações terroristas tem uma série de consequências nas relações entre os países. Pode, inclusive, justificar a intervenção militar em outro país”, disse o chanceler, em março deste ano, durante sabatina na Câmara dos Deputados.
Esforços para boa relação entre Lula e Trump
Diante do entendimento, o Planalto corre para buscar formas de redução de danos. Um caminho será a ida do presidente à reunião do G7, grupo de sete países democráticos, incluindo os EUA, com as maiores economias do mundo. O encontro ocorrerá entre os dias 15 e 17 de junho, na França.
Na ocasião, o presidente vai promover ideais em defesa do multilateralismo. “Eu nem ia no G7, mas agora eu vou no G7, porque é preciso alguém tentar colocar ordem na casa e dar um paradeiro nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia, e desvalorização das instituições", afirmou Lula, em discurso realizado na abertura da reunião ministerial, no Palácio do Planalto.
É possível que, durante as atividades do G7, Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenham reunião bilateral ao longo do evento. Essa possibilidade, embora sustentada por governistas, não é comentada pelo Ministério das Relações Exteriores.
