A defesa da soberania nacional é o destaque da campanha institucional do Dia da Marinha, comemorado em 11 de junho. Em vídeo lançado hoje, a Força alerta que o cenário geopolítico internacional é desafiador e exige "capacidades navais compatíveis com a proteção da soberania nacional". Nos últimos anos, a Marinha tem usado suas campanhas institucionais para defender a imagem da corporação e os projetos estratégicos em curso, como o de produção do primeiro submarino nuclear brasileiro.
O foco na defesa da soberania partiu de uma percepção do Alto Comando de que a população não conhece com detalhes o trabalho dos militares na defesa do mar territorial brasileiro — a Amazônia Azul — e das riquezas que o país tem condições de explorar. No vídeo institucional, feito com ajuda de inteligência artificial, a Marinha apresenta os equipamentos mais importantes de sua frota naval, como o navio-aeródromo Atlântico, as fragatas da classe Tamandaré e os submarinos de propulsão convencional da classe Riachuelo — que integram o Programa de Submarinos (Prosub), cuja meta é desenvolver, até 2037, um equipamento nacional movido à energia nuclear.
Manter os programas de ampliação e modernização da frota naval é a maior prioridade do comando da Marinha, após a equipe econômica do governo determinar uma contenção orçamentária de R$ 31,3 bilhões para deixar as contas públicas dentro da meta fiscal. O Ministério da Defesa foi a pasta que mais teve recursos retidos, R$ 4,4 bilhões, impactando diretamente o custeio das Três Forças Armadas.
"A nossa frota vai envelhecendo. Daqui a pouco vai ter marinheiro sem navio, aviador sem avião e soldado do Exército sem equipamento para lutar. Nós precisamos investir nisso pensando no patrimônio, no Brasil. As Forças Armadas, seja lá quem esteja no governo, defendem o país, não um partido nem um líder político", desabafou o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, no início da semana, no Rio de Janeiro.
Oficiais do topo da carreira militar ouvidos pela reportagem foram unânimes na avaliação de que o tarifaço aos produtos brasileiros imposto pelos Estados Unidos e a pressão que o governo de Donald Trump faz para negociar acesso a petróleo e minerais estratégicos, como as terras-raras, acenderam a luz amarela para ameaças à soberania nacional.
No comunicado alusivo ao Dia da Marinha, a Armada lembra que a proteção da Amazônia Azul significa manter as rotas marítimas em operação, garantir a segurança de equipamentos de exploração de petróleo e cabos submarinos de transmissão de dados, e defender os recursos biológicos e minerais.
"Embora o Brasil seja um país de dimensões continentais, 97% de tudo o que importamos e exportamos transita pelo mar e pelos portos. Nossa segurança energética, grande parte da atividade econômica e importantes infraestruturas nacionais dependem diretamente da estabilidade e da proteção do ambiente marítimo. Por isso, fortalecer a consciência marítima da sociedade é também fortalecer a compreensão sobre a importância da soberania nacional", explica o diretor do Centro de Comunicação Estratégica da Marinha, vice-almirante Vagner Belarmino de Oliveira.
Nos últimos anos, os vídeos institucionais que a Marinha produz para marcar datas comemorativas têm repercutido pelos recados que embutem. No fim de 2024, na homenagem ao Dia do Marinheiro (13 de dezembro), a peça produzida fazia referência às críticas de que os militares formam uma categoria de "privilegiados". Com o slogan "Quer moleza? Vem pra Marinha!", a Armada mesclou imagens de treinamentos e operações militares com cenas de civis se divertindo em família. Nas redes sociais, muita gente criticou a comparação.
Um ano antes, sob o impacto do envolvimento do então comandante da Marinha, Almir Garnier, na trama golpista que culminou no 8 de Janeiro, outra peça audiovisual encontrou melhor acolhida. Com autorização da cantora e compositora Adriana Calcanhoto, a Força usou como trilha sonora a música Maresia, com uma pequena adaptação no refrão para "Ah, se você fosse Marinheiro", com o objetivo não só de estimular o alistamento e valorizar o trabalho dos militares, mas de melhorar a imagem da corporação.
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