A derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal continua produzindo efeitos políticos em Brasília. Mais de um mês após o Senado rejeitar a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do governo e lideranças do PT trabalham nos bastidores para construir uma estratégia que permita recolocar o nome do advogado-geral da União na corrida pela Corte.
A avaliação entre aliados de Lula é de que uma nova indicação somente terá chances de prosperar se vier acompanhada de uma ofensiva política junto aos senadores. O entendimento é que a rejeição sofrida por Messias não ocorreu apenas por questões relacionadas ao currículo ou ao perfil jurídico do indicado, mas também por insatisfações acumuladas entre parlamentares e o Planalto.
Nos bastidores, auxiliares defendem que o presidente promova uma reaproximação com lideranças do Senado antes de formalizar qualquer nova indicação. A estratégia incluiria reuniões reservadas, ampliação do diálogo institucional e demonstrações de prestígio aos parlamentares. A intenção seria neutralizar resistências e reconstruir uma maioria favorável ao nome do atual chefe da Advocacia-Geral da União.
Disposição
A rejeição produziu um desgaste significativo na relação entre o Executivo e o Senado. O episódio foi interpretado dentro do governo como uma demonstração de força da Casa e também como um recado político ao Planalto. Parlamentares reclamaram, reservadamente, da falta de diálogo durante o processo e do que consideram uma interlocução insuficiente por parte do governo na articulação da indicação.
Entretanto, o presidente Lula tem demonstrado disposição para insistir no nome do advogado-geral. Pessoas próximas ao chefe do Executivo afirmam que ele considera a rejeição um episódio circunstancial e acredita que, com uma articulação mais eficiente, seria possível reverter o resultado em uma nova votação. A avaliação é compartilhada por setores do PT, que enxergam em Messias um dos principais quadros jurídicos da atual gestão.
Entre senadores, contudo, ainda há dúvidas sobre a viabilidade política da operação. Por isso, aliados de Lula defendem cautela. A recomendação é que qualquer decisão seja precedida por uma ampla consulta às lideranças partidárias e por um mapeamento detalhado dos votos. O objetivo é evitar uma nova derrota e transformar uma eventual reapresentação do nome de Messias em um movimento de afirmação política do governo.
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